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POEMAS NA AMIZADE E NA FAMÍLIA
O MEU SANTUÁRIO PREDILETO
Lembro-me das tuas mãos, dando-me comida, Em colheradas compassadas e pequeninas; E das tuas palavras meigas e finas Que, ternamente, me despertavam para a vida. Recordo as histórias que me contavas; O teu engenho, o teu amor, o teu carinho; A forma como, sem saber, já me ensinavas, A percorrer com coragem, o meu caminho. Estava eu, nesse tempo, só de começo; Mas agora, que a vida já nos separou, Quanto mais o tempo passa, menos esqueço A tua bondade que, para sempre, me
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QUERIDA AVOZINHA
Derramam-se as tintas dum cair de tarde, Envolvendo-me, neste tranquilo recanto. E chegam recordações, como que por encanto, Trazendo a saudade, que no meu peito arde. Estão comigo lembranças de tempos idos, Quando ternamente, me ouvias e me chamavas, E, no poial da porta, tu acariciavas Os meus joelhos que, de brincar, estavam feridos. Mas eram feridas leves e superficiais, Que causavam dores tão brandas e tão ligeiras, Que, ao pousar dos teus beijos, já não doíam mais,
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A MINHA MODESTA CASINHA
Vem cá tu, ó minha amiga dedicada, À minha bela e modesta casinha. Ela é pequena, é simples, é quase nada, Mas, pelo que contém, ela só pode ser minha. Tem cá belas canções, que saíram do fundo, Dum coração puro e muito apaixonado, Que, com elas, queria iluminar o mundo, Mas ficaram guardadas, nas malas do passado. Atenta bem, nesta estranha salinha; Aquele painel, agora vermelho escuro, Em tempos, já teve uma diferente cor; Pressagiava um bom e lindo futuro. Dava gosto o
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AOS QUE PARTIRAM
Aqueles que me viram chegar já partiram; Aqueles que me viram criança já se foram; Mas, da minha vida, eles nunca saíram, Porque os que nos amam, sempre connosco moram. Não creio que os afetos se possam extinguir; Que as pessoas que se querem se possam perder. Eu sei que, na imensa torrente do existir, O amor nos une, no gosto de permanecer. Teremos as marcas de muitas viagens; Bem como as dores de difíceis passados. Falaremos de outros mundos, outras paragens, Partilhand
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UM FACTO MUITO BONITO
Quando será que nos veremos outra vez? Eis a simples questão que me vem ao pensamento; Cuja resposta, no fluir de cada momento, Tem o vago sentido dum curto talvez. Fico remoendo esta solução incerta, Que deita flocos de névoa na minha vida. De ti, a minha casa vai continuar deserta, Porque eu sei que sempre estás de partida. E assim relaxo, no tempo que vai correndo, Que me dói e machuca, sem fazer qualquer pausa. Sei que, para todo o efeito, há uma causa, Mas que o vers
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O TEU QUARTO
Quiseste saber quem é que dorme no teu quarto. Quem lá dorme, meu amor, é a saudade. Mantenho a porta fechada, pois estou farto De lá ir, com desgosto e sem vontade. Lá está a saudade sobre a tua cama, Falando-me dos meus contos de antigamente. Se lá me deito, ela beija-me docemente, Como quem me molesta, mas, também me ama. Lembro-me de quando lá cabíamos os dois; Quando as nossas ficções pareciam verdadeiras; Quando nos agarrávamos a brincadeiras, Com luzes de agora, se
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SER AMIGO
Ser amigo é transcender a vulgaridade, O egoísmo, a posse e a mesquinhez. É deixar a indiferença e a pequenez; É praticar, com gosto, a fraternidade. Ser amigo é saber levar a alegria Onde está o desânimo e a tristeza; É saber dar conforto, luz e beleza A quem já não cria no bem e na harmonia. Ser amigo é dar, sem querer algo em troca; É um sentimento profundo que nos toca; É um perfume que sai do frasco da bondade. Ser amigo é praticar a lei do amor; É projetar luz, na t
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A MINHA CASA
A minha casa, irmão, Não tem janelas nem portas; Não tem paredes pesadas, Tristes, feias, isoladas E cobertas de horas mortas. Lá, não há relógios parados; Não há móveis sem história; Não há beijos guardados, Que se dão já congelados, Sem desejo nem memória. Na minha casa, irmão, Tu entraste quando choraste; Agasalhei-te e dormiste; Sentiste-te bem e ficaste e, ao acordares, sorriste. Na nossa casa, irmão, Em todo o lado há um rosto E não há corações no chão. Faro, 1
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