A MINHA CASA
- 9 de mai.
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A minha casa, irmão,
Não tem janelas nem portas;
Não tem paredes pesadas,
Tristes, feias, isoladas
E cobertas de horas mortas.
Lá, não há relógios parados;
Não há móveis sem história;
Não há beijos guardados,
Que se dão já congelados,
Sem desejo nem memória.
Na minha casa, irmão,
Tu entraste quando choraste;
Agasalhei-te e dormiste;
Sentiste-te bem e ficaste
e, ao acordares, sorriste.
Na nossa casa, irmão,
Em todo o lado há um rosto
E não há corações no chão.
Faro, 1972
José Bento
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