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ACERVO ESCRITO
O SER QUE SE TRANSCENDE
Esse que nos precedeu, No tempo de falecer, Por nosso bem ascendeu, Para depois nos receber. Porque morrer é partir, Nascendo noutras paisagens, Fazendo novas viagens, No saber e no sentir. Porque partir é renascer, Ampliando as conquistas, Elevando luzes do ser, Para além das nossas vistas. Porque ascender é existir, Na senda de quem persiste, No amar, no evoluir, Porque a morte não existe. Pois morrer é só chegar Ao mundo imaterial, A essa forma do estar Em que a gente é ma
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O NOVO LAR DA EXISTÊNCIA
Todos iremos chegar Ao novo lar da existência, Onde vamos constatar Que permanecemos, na essência. Despiremos esse traje Que fica na sepultura, E depois, cada um age, Conforme a sua ventura. Nós seremos o eu que fica, Pois o corpo se desintegra. Só o amor nos edifica, Sendo a mais perfeita regra. Nesse lar, lá no além, Os puros hão de ver Deus. Aquilo que cada um tem Depende dos méritos seus. Aí a gente entenderá, Sem outra explicação, Que o nosso tesouro está, Onde está o co
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LÁ VAI ELA
Lá vai ela, andando, vida fora, Com o dom de fruir e caminhar, Com o gosto de viver e desfrutar Do tempo, no passar de cada hora. Lá vai ela passando por aqui, No ritmo lento dum feliz passar, Na tarde tépida dum bom vogar, À tona do mar que há dentro de si. Lá vai ela com os seus horizontes, Que só ela sabe quão amplos sejam, Quanto rejeitam e quanto desejam, No correr tranquilo das suas fontes. Mas eu, que no ontem enterro os passos, Que no hoje sorvo alguma dor, Fico carre
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QUADRAS SOLTAS IV
Aquele que é poderoso, Sem abusar do poder, Demonstra ser generoso, No abordar do viver. Se revês o teu passado, Não queiras viver pra trás. Põe o amor au teu lado; Constrói o porvir em paz. Todos estamos distantes Dos jardins da perfeição. Sejamos bons caminhantes, Buscando iluminação. Mesmo o melhor momento, Um dia há de findar. A vida é movimento, Não se pode congelar. A receita do viver, No mapa do existir, É trabalhar, aprender, Amar e evoluir. Se estás desanimado, Perto
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QUADRAS SOLTAS III
Quem optar pela matéria, Não crescendo na bondade, Só arrecada miséria, Em vez de felicidade. Se geres a tua sorte, Pondo o bem no teu enredo, Vais constatar que a morte Não vem nem tarde nem cedo. Ouvi em certa lição Algo que não mais esqueci. Parto, noutra dimensão, Donde terminei aqui. Por mais que possas dizer Sobre as tuas intenções, A gente quer entender O que mostras nas ações. Quem faz o bem de vontade, Com amor no pensamento, Sentirá felicidade, Mesmo sem agradecimen
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QUADRAS SOLTAS II
Havia uma lacuna No seu triste coração. Apesar de ter fortuna, Não tinha educação. O saber é pão da mente, Que não se nega a ninguém. É a luz resplandecente, Se aplicado no bem. Se a gente utilizasse Bom senso no que consome, Talvez aqui acabasse A dor de quem passa fome. Eu sei duma norma boa, Nas regras do bom viver. Não queiras duma pessoa, Mais do que pode fazer. Esse que vive no mal E que no erro se detém, É pobre, pois afinal, O ser feliz só faz bem. Se tu já vais traba
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AMOR, NÃO TE PERCAS DE MIM - CAPITULO IV
CAPÍTULO IV Estávamos em julho de 2006, numa manhã quente de domingo, pouco passando das nove horas, quando o Daniel chegou à casa do Carlos para, de acordo com o previamente combinado, irem à Praia Verde, perto de Vila Real de Santo António. De facto, eles encontravam-se, de quando em vez, amigos que eram de longa data e que, por morarem na mesma cidade, mais facilidade tinham de estarem juntos. O Daniel tinha ajudado muito o Carlos a superar a situação difícil em que tinh
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AMOR, NÃO TE PERCAS DE MIM CAPITULO III
CAPÍTULO III Quando um casamento destes se estilhaça, forma-se uma nuvem densa de farrapos dele que se espalham em derredor e nenhum dos ex-cônjuge fica imune ao seu impacto. São farrapos que incomodam, que torturam e, sobretudo, que questionam. Esses pedaços disformes, tóxicos e ativamente dolorosos, aos quais não se podem opor distâncias, paredes, portas ou janelas, não ficam apenas com aquele que permaneceu na casa deixada, mas abalam também com aquele dos dois que p
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