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QUADRAS SOLTAS II

9 de ago.
3 min de leitura

Havia uma lacuna

No seu triste coração.

Apesar de ter fortuna,

Não tinha educação.


O saber é pão da mente,

Que não se nega a ninguém.

É a luz resplandecente,

Se aplicado no bem.


Se a gente utilizasse

Bom senso no que consome,

Talvez aqui acabasse

A dor de quem passa fome.


Eu sei duma norma boa,


Nas regras do bom viver.

Não queiras duma pessoa,

Mais do que pode fazer.


Esse que vive no mal

E que no erro se detém,

É pobre, pois afinal,

O ser feliz só faz bem.


Se tu já vais trabalhar,

Sem desejo de lá ir,

Não consegues constatar

Que trabalhar é progredir.


Está muito mais sozinho

Quem, vivendo enganado,

Coloca no seu caminho,

Quem não está ao seu lado.


Quando na vida nos calham

Desastres materiais,

As ajudas que não falham

São as das forças morais.


Aconselhar para o bem,

É sempre uma boa oferta.

Mas só a recebe quem

Estiver de mente aberta.


Nos recantos desta vida,

Há prazeres e tormentos.

No carro do bem há subida,

No do mal há sofrimentos.


O querer é importante,

Para fazer o porvir.

Mas o depois do instante

Ficará por definir.


Tem contigo as lições,

Que a vida nos ensina.

Do fogo das tentações,

Afasta a gasolina.


Apesar da sua cruz,

A força que cada um tem,

Acende na alma aluz,

Que faz a gente ser alguém.


Quem tem boas energias,

E brilho no coração,

Faz o bem todos os dias

E não sofre sem razão.


Não consegue avançar,

Essa pessoa que sente,

Que o seu saber e pensar,

Já lhe é suficiente.


Quando existe beleza

Numa boa poesia,

Uma luz fica acesa,

Até na vida sombria.


Onde houver harmonia,

Há beleza e amor;

Há paz e muita alegria,

E mais conforto na dor.


Deus dá-nos muita riqueza,

Deixando-nos desfrutar,

Do livro da natureza,

Para sentir e criar.


O amor é a doutrina,

O agir, a energia,

É a boa medicina

Que põe a alma sadia.


Mesmo nas duras estradas

Que tive de percorrer,

Senti as bênçãos sagradas

De Deus a me proteger.


Deus sempre nos quer erguer

E jamais nos desampara.

Nas dores do anoitecer,

Faz-nos ver a manhã clara.


Há beleza de mil formas,

Assente em muitas noções.

Mas a que tem boas normas,

Só tem boas intenções.


Por que queres aumentar

As paisagens do teu ter,

Se a vida, ao passar,

Só te vai deixar o ser?


Se tens o dom de criar,

Não tenhas fascinação.

Cria só para ajudar

Os irmãos de criação.


Se cá chegaste à vida,

Trazendo felicidade,

Faz para que, na saída,

Cá deixes muita saudade.


A vida passa e corre,

Qual fio que desenrola.

Depois que a gente morre,

Mal ou bem, sai da escola.


Não te deixes magoar

Pelo que não sucedeu.

Pensa que Deus, ao zelar,


Cuida bem do que é teu.


Todo o mal que nos alcança

Traz uma dor que é só nossa.

Mas com fé e esperança,

Ele faz-nos menos mossa.


Prefiro enfatizar

O que eu consigo ser,

Ao invés de me centrar

No que não posso fazer.


Há que ter muita cautela

Na conversa da censura.

Há quem atire por ela,

O seu travo de amargura.


Não te votes ao desterro,

Pela dor de ter caído.


Tenta achar no teu erro,

A chance de ter aprendido.


É próprio dos mais velhos

Algo que defino assim.

Doem-me mais os joelhos,

Mas ando mais dentro de mim.


No viver de muita gente,

Avulta a dimensão,

De vogar pela corrente,

Sem ter discriminação.


Nos momentos de doença

Há quem tenha devoção.

Mas que se olvide da crença,

Quando finda a aflição.


Conforme seja tratada,


A vida tem as paisagens.

Por vezes é complicada,

Graças a falsas mensagens.


Agora que ascendeu,

Na fama que o achou,

Ele jamais esqueceu

O que o sofrer lhe ditou.


Esse que tem bom sentir

Age pela equidade.

Tem mais gosto em servir

Quando há mais dificuldade.


Se algo me agradou,

No que já tenho vivido,

Foi ter quem me ajudou,

Mesmo sem eu ter pedido.


Fazendo a revisão

Das formas do meu viver,

Mostro a Deus gratidão

Pelo bem que sei fazer.


Faro, 7-8-2026


José Bento

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