QUADRAS SOLTAS III
Quem optar pela matéria,
Não crescendo na bondade,
Só arrecada miséria,
Em vez de felicidade.
Se geres a tua sorte,
Pondo o bem no teu enredo,
Vais constatar que a morte
Não vem nem tarde nem cedo.
Ouvi em certa lição
Algo que não mais esqueci.
Parto, noutra dimensão,
Donde terminei aqui.
Por mais que possas dizer
Sobre as tuas intenções,
A gente quer entender
O que mostras nas ações.
Quem faz o bem de vontade,
Com amor no pensamento,
Sentirá felicidade,
Mesmo sem agradecimento.
O cais donde sais da vida
Pode ter perturbação,
Se não crês que à saída,
Entras noutra dimensão.
Aquilo que fica melhor,
Na tua fotografia,
É o brilho do amor
Na tua alma sadia.
O amor é tão bonito,
Que até no sorrir se nota.
Tem odores de infinito
Que nem a dor os esgota.
Os bens de fortuna vão;
Poder social também.
Mas os dons do coração,
Ficam para quem os tem.
Não deixes o bom caminho;
Segue o bem com insistência.
Nunca se sente sozinho
Quem tem paz na consciência.
Na vida, em cada hora,
Uma lição aprendi.
Não tentes achar lá fora
O que depende de ti.
O luto duma pessoa
É vivido do seu jeito,
Pois é a dor que ressoa
Dentro das fibras do peito.
Quem na vida não buscar
Seguir o mapa do amor,
De certo vai encontrar
A densa selva da dor.
O amor não se mistura
Com desdém e com engano.
É a luz bela e pura
Que conduz o ser humano.
Na tua simplicidade,
Existe imensa graça,
Pois o brilho da bondade
É beleza que não passa.
A vida é bela demais,
Para se destruir na guerra.
Na luz dos bons ideais,
Acharemos paz na Terra.
Esse que tenha vivido
Na boa sabedoria,
Acha sempre um bom sentido,
Para viver outro dia.
Deus a todos nos defende,
Com os seus dons paternais.
Para esse que se arrepende,
Nunca é tarde demais.
Se o mal te bater à porta,
Diz ao bem que vá abrir,
Porque o mal não suporta
A luz do bem a refulgir.
Quanto mais alguém crescer
Nos dotes do coração,
Menos consegue dizer
Gosto destes; desses não.
Arte é fonte de beleza,
De elevação das pessoas.
Pois a sua grande riqueza
É fomentar horas boas.
Pobre desse que já deixou
Secar a flor da esperança.
Desse modo lhe murchou
Esse dom que tanto alcança.
Quantas dores, trabalhos meus;
Quantos escolhos na vida.
Mas amparado por Deus,
Porfio sempre na subida.
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