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A MINHA MODESTA CASINHA

  • 9 de mai.
  • 1 min de leitura

Vem cá tu, ó minha amiga dedicada,

À minha bela e modesta casinha.

Ela é pequena, é simples, é quase nada,

Mas, pelo que contém, ela só pode ser minha.

 

Tem cá belas canções, que saíram do fundo,

Dum coração puro e muito apaixonado,

Que, com elas, queria iluminar o mundo,

Mas ficaram guardadas, nas malas do passado.

 

Atenta bem, nesta estranha salinha;

Aquele painel, agora vermelho escuro,

Em tempos, já teve uma diferente cor;

Pressagiava um bom e lindo futuro.

Dava gosto olhar o que ele continha,

Porque irradiava sonho, luz e amor.

 

Hoje para ali está abandonado,

No fundo daquela soturna divisão.

Está desfasado, obscuro, enevoado,

Indolente, inquieto e magoado,

Retratando bem o que me vai no coração.

 

Por aquela porta, que agora é cinzenta,

Saíram queridos afetos, que não voltaram;

Gotas duma ilusão que se vazaram,

Deixando entrar uma tarde pardacenta.

 

Nesta pequena e simples mesa de madeira,

Há um livro escrito, com linhas de emoção,

Contendo frases dum iludido coração,

Que sonhava iluminar a terra inteira.

 

Podes ver tu, como era vã tal ilusão;

O livro ficou ali, ninguém o leu,

E aquele que, com tanto amor o escreveu,

Muitas vezes mergulha em rios de solidão.

 

Mas, apesar de tanta perda e tristeza,

Vem visitar a minha modesta casinha.

Nela, há um cheiro a vida, a natureza,

Crescem flores de fé, de amor e de beleza,

E nela, estou inteiro e a casa é minha.

 

Faro 23-8-2025

 

José Bento

 

 

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