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O TEU QUARTO

  • 9 de mai.
  • 1 min de leitura

Quiseste saber quem é que dorme no teu quarto.

Quem lá dorme, meu amor, é a saudade.

Mantenho a porta fechada, pois estou farto

De lá ir, com desgosto e sem vontade.

 

Lá está a saudade sobre a tua cama,

Falando-me dos meus contos de antigamente.

Se lá me deito, ela beija-me docemente,

Como quem me molesta, mas, também me ama.

 

Lembro-me de quando lá cabíamos os dois;

Quando as nossas ficções pareciam verdadeiras;

Quando nos agarrávamos a brincadeiras,

Com luzes de agora, sem sombras do depois.

 

Perguntas-me quem é que dorme no teu quartinho,

Mas não é fácil a resposta que posso dar-te,

Porque nem quero mentir-te, nem sequer magoar-te,

Ao dizer-te que lá dorme o passado sozinho.

 

E também posso dizer-te, sem medo de mentir,

Que lá passo muitas noites, mas não posso dormir,

Porque, contigo, também se foi a alegria.

A saudade difícil, que lá quer residir,

Chora toda a noite, até ao romper do dia.

 

Faro, 11-3-2023

 

José Bento

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