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POEMAS NO AMOR A DOIS
O MOTOR UNIVERSAL
Um dia, encontrar-nos-emos, certamente, Quando tu puderes ver a minha mente, E puderes sentir este amor tão global. Entenderás então, quanto tempo foi perdido; Quanto bem foi rejeitado e destorcido, Num viver egoísta e superficial. Lembrar-te-ás da água pura que corria, Enquanto o meu afeto fluía, Em busca de novas formas de beleza. Recordarás as canções que então nasciam, Dos meus beijos mendicantes que traziam, Doces clamores de amplidão e natureza. Sentirás no amor o m
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PEGA-ME NA MÃO
Pega-me na mão; leva-me ao Céu da confiança, Entregando-me a verdade da ternura. Eu ainda sou, qual essa débil criança, Que quer o colo duma amizade segura. Faz-me sentir o belo e suave encanto De quem se regozija e se aconchega, De quem se canta, se esmera e se entrega, No doce e terno descanso de amar tanto. Diz-me que posso crer na palavra dada; Que serei feliz, sendo um pouco do teu dia. Faz-me pensar que podemos ter a mesma estrada E que, por amor, faremos sempre poe
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DOIS CORAÇÕES
Não rebusques as palavras que me dizes, Nem compliques o contexto da realidade. Crê que o caminho para sermos felizes É pôr em tudo, o tom da simplicidade. Mostremos aquilo que somos por dentro, Como se fora uma luz que se revela. Deixemos que a vida, pura e bela, Nos encha de amor e de luz, lá no centro. Façamos do viver um oceano sereno, Com ondas do bem, que queremos praticar. Deixemos que o nosso mundo, ainda pequeno, Tenha sempre ensejo de se dilatar. Talvez não ap
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RELAÇÃO A DOIS
Para ti, ele era um estorvo, um peso; Para ela, é um bem, uma alegria. Que bem fez ele, ao partir, certo dia, Libertando a mulher que o não queria, E optando por quem, por amor, o tem bem preso. É um erro insistir, quando somos repelidos; Quando damos ternura, mas não somos entendidos; Quando para alguém, lhe somos indiferentes. Não é bom viverem dois, no meio da solidão; Há que buscar sintonia com um coração, Que busque no amor os gestos mais abrangentes. Há pessoas que
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Amar-te
Amar-te é pousar o coração, Na aurora dos teus lábios, Sentindo os teus modos sábios De pôr sóis na minha emoção. Amar-te é um poema muito urgente, Uma canção bem orquestrada, Uma ave que voa em frente, Olhando para toda a parte, Ao romper da madrugada. Amar-te é soltar a fantasia, Deixando-a voar bem liberta, Até que ela toca e desperta Uma empolgante melodia. Amar-te é um potente sino que toca, Na igreja dos sentidos, É um constante abarcar De horizontes indefinidos.
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AMOR E SUPERAÇÃO
Por muito pouco, nós ficámos separados, Mas acreditei que íamos ficar unidos. Agarrámo-nos muito aos nossos maus bocados, Enquanto os bons momentos ficaram esquecidos. Vivemos tempos puros, grandiosos e belos, De dádiva, doçura e cumplicidade. Pusemos em comum sentimentos singelos, Que mostravam caminhos de felicidade. Mas não foram em vão essas aprendizagens, Que pude deduzir das nossas desconexões. Ignorámos o real, plantando ilusões, Pois tínhamos malas, para diferente
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ALBUM DE ILUSÕES
Hoje remexi nas cartas gastas e sozinhas, Que eram tuas, mas passaram a ser minhas, À medida que de ti, eu as ia recebendo. As cartas traziam, em frases, uma fogueira; Nelas, davas-me a tua vida inteira, E do que dizias, eu me ia convencendo. A vida foi correndo, nos seus lances sucessivos; De quando em vez, trazendo sóis belos e furtivos, Dum prometido amor, mas que jamais ardia. Assim, os meus sentimentos ficavam cativos, Duma querida alvorada, que nunca surgia. Ritmado
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CÍRCULO VICIOSO
Meu amor, como hoje sinto tanto frio, Na nossa casa, cómoda e aquecida. Que grandes contradições existem na vida, Que, mesmo contigo, estou só e arredio. Temos acesas muitas lâmpadas florescentes, Mas, no falar, mostramos tanta obscuridade, Que as nossas mãos, que no ontem eram tão quentes, Hoje unem-se flácidas e já sem vontade. Deitamos fora o tempo, no passar dos dias, Fabricando uma rotina que nos entorpece; Vamos congelando, num fogo que não aquece, E que nos destrói
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