Amar-te
- 9 de mai.
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Amar-te é pousar o coração,
Na aurora dos teus lábios,
Sentindo os teus modos sábios
De pôr sóis na minha emoção.
Amar-te é um poema muito urgente,
Uma canção bem orquestrada,
Uma ave que voa em frente,
Olhando para toda a parte,
Ao romper da madrugada.
Amar-te é soltar a fantasia,
Deixando-a voar bem liberta,
Até que ela toca e desperta
Uma empolgante melodia.
Amar-te é um potente sino que toca,
Na igreja dos sentidos,
É um constante abarcar
De horizontes indefinidos.
Amar-te é uma viola que soa,
Lá no cume da existência;
É o nascer duma lagoa,
É uma planta que rebenta,
No centro da inteligência,
Alastrando aos quatro ventos,
E que explora e que inventa
A vida do dia a dia.
Amar-te assim como eu faço,
É escrever compasso a compasso,
Um grande hino de alegria.
Faro, 1975
José Bento
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