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ALBUM DE ILUSÕES

  • 9 de mai.
  • 1 min de leitura

Hoje remexi nas cartas gastas e sozinhas,

Que eram tuas, mas passaram a ser minhas,

À medida que de ti, eu as ia recebendo.

As cartas traziam, em frases, uma fogueira;

Nelas, davas-me a tua vida inteira,

E do que dizias, eu me ia convencendo.

 

A vida foi correndo, nos seus lances sucessivos;

De quando em vez, trazendo sóis belos e furtivos,

Dum prometido amor, mas que jamais ardia.

Assim, os meus sentimentos ficavam cativos,

Duma querida alvorada, que nunca surgia.

 

Ritmado, o tempo foi-se passo a passo,

Marcando rugas, no rosto da minha vida,

Numa zona meio triste, meio esquecida,

Mas produzindo desencanto e cansaço.

 

Hoje, restam as cartas, relidas e dobradas,

Que reabrem feridas, nas minhas recordações.

Restam as promessas por ti feitas e retiradas,

Que foram compondo o meu álbum de ilusões.

 

Faro, 5-2-2023

 

José Bento

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