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VELHO AMIGO

  • 9 de mai.
  • 1 min de leitura

Sabe-me bem encontrar-te, meu velho amigo,

Porque ambos abordámos o mesmo antes;

Saltámos juntos bons e maus instantes;

E sem eu falar, sabes o que se passa comigo.

 

Trazemos na alma o vigor da juventude,

Que ainda refulge na nossa bagagem.

Apesar dos anos que nos carregam a viagem,

Louvamos a vida, com uma boa atitude.

 

O tempo fez mossa, passaram muitos anos;

Suportámos dores, desaires e desenganos,

Mas tudo isso não alterou a nossa essência.

Onde quer que te ache, sempre te conheço;

A amizade que me deste, jamais a esqueço,

Pois tenho em mim, luzes da tua consciência.

 

Mal sabíamos nós que ignorávamos tanto,

Quando, nos recreios jogávamos à bola.

Desconhecíamos que a vida é a escola,

Para aprender a amar, mesmo no desencanto.

 

Estivemos juntos, quando podíamos sonhar;

Ficámos perto, quando os sonhos se desfizeram.

Já muitos amigos na partida nos precederam,

Mas Deus, para nosso bem, deixa-nos ficar.

 

Entenderás que nas sendas da imensidade,

Nos vários patamares do existir,

Será pelo concurso da amizade,

Que, cada um se consegue achar e subir.

 

Talvez haja muitos trilhos para palmilhar,

Como juntos andámos em tempos antigos.

Sabe-se lá o que a vida tem para nos dar;

Mas o importante é que sejamos amigos.

 

Faro, 23-12-2022

 

José Bento

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