UMA TERRA RENOVADA
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Nesta noite quieta dum morno verão,
Há ecos aflitivos que chegam aqui,
Com rogos de justiça e compreensão.
Talvez venham dum passado em que me perdi,
Ou dum presente, com sombras de desilusão.
Nesta noite quente dum calmo agosto,
Em que o silêncio se espalha em redor,
Há uma frase, uma súplica, há um rosto,
Há um eco que chega e me fala de amor.
Será o teu rosto, criança carente,
Que, estando no quarto, te sentes abandonada,
Com saudades do pai, que há muito está ausente,
E pensando na mãe, que virá de madrugada.
É o teu rosto que me fala de ternura;
São as tuas lágrimas que me pedem proteção;
São os teus rogos, que cruzam a noite escura,
Entrando no meu debilitado coração.
Será o teu olhar, meu irmão desempregado,
Que estás sem posses, para viver o amanhã.
Que buscas, em vão, outra alma irmã,
Que, nesta hora difícil, se ponha do teu lado.
O teu pedir sai do coração rumo às estrelas;
É um apelo que se lança no firmamento.
A tua aflição entra no meu pensamento,
Provocando-me questões profundas, mas singelas.
Penso numa humanidade mais solidária,
Que cuidasse mais do bem viver de cada um.
Que, duma forma mais justa e visionária,
Desse primazia à obtenção do bem comum.
Penso em mentes mais puras e mais libertas
Das grades em que o egoísmo as encerra,
Que escolham vias mais justas e mais certas,
Para que rios de amor inundem a terra.
Nesta noite morna, que se vai tornando mais clara,
Nesta noite controversa, dum incerto agosto,
Sinto uma dimensão plena e rara,
Que é um misto de esperança e de desgosto.
Senhor Jesus, que és caminho, verdade e vida,
Que falaste de amor a esta gente sofrida,
Abençoa esta terra tão massacrada;
Para que todos os corações vibrem de amor,
Amando Deus em tudo, do cosmo à simples flor,
Plantando luz e paz, numa terra renovada.
20-8-2023
José Bento
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