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UMA TERRA RENOVADA

  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Nesta noite quieta dum morno verão,

Há ecos aflitivos que chegam aqui,

Com rogos de justiça e compreensão.

Talvez venham dum passado em que me perdi,

Ou dum presente, com sombras de desilusão.

 

Nesta noite quente dum calmo agosto,

Em que o silêncio se espalha em redor,

Há uma frase, uma súplica, há um rosto,

Há um eco que chega e me fala de amor.

 

Será o teu rosto, criança carente,

Que, estando no quarto, te sentes abandonada,

Com saudades do pai, que há muito está ausente,

E pensando na mãe, que virá de madrugada.

 

É o teu rosto que me fala de ternura;

São as tuas lágrimas que me pedem proteção;

São os teus rogos, que cruzam a noite escura,

Entrando no meu debilitado coração.

 

Será o teu olhar, meu irmão desempregado,

Que estás sem posses, para viver o amanhã.

Que buscas, em vão, outra alma irmã,

Que, nesta hora difícil, se ponha do teu lado.

 

O teu pedir sai do coração rumo às estrelas;

É um apelo que se lança no firmamento.

A tua aflição entra no meu pensamento,

Provocando-me questões profundas, mas singelas.

 

Penso numa humanidade mais solidária,

Que cuidasse mais do bem viver de cada um.

Que, duma forma mais justa e visionária,

Desse primazia à obtenção do bem comum.

 

Penso em mentes mais puras e mais libertas

Das grades em que o egoísmo as encerra,

Que escolham vias mais justas e mais certas,

Para que rios de amor inundem a terra.

 

Nesta noite morna, que se vai tornando mais clara,

Nesta noite controversa, dum incerto agosto,

Sinto uma dimensão plena e rara,

Que é um misto de esperança e de desgosto.

 

Senhor Jesus, que és caminho, verdade e vida,

Que falaste de amor a esta gente sofrida,

Abençoa esta terra tão massacrada;

Para que todos os corações vibrem de amor,

Amando Deus em tudo, do cosmo à simples flor,

Plantando luz e paz, numa terra renovada.

 

20-8-2023

 

José Bento

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