UMA ROSA DE AMOR
Antes eu abraçava a noite, com fantasia;
Hoje, estou nela, mas sinto tristeza.
Contudo, em mim, corre um rio de beleza,
Com margens de pequenez e de grandeza,
Trazendo desencanto, mas ousadia.
Antes, ouvia o tempo e sentia futuro;
Hoje bate-me o tempo, mas sinto passado.
Ergueu-se junto a mim, um complicado muro,
Que é metade claro e metade obscuro;
Que me põe intranquilo e debilitado.
Ó luzes multicolores que brilhavam outrora;
Ó estrelas passadas, que desapareceram.
Que ambiente remoto me toma o agora,
Cheio de momentos que não aconteceram!
Ó portas fechadas, que por temor não adentro;
Ó frases confusas que me ficam por dizer.
Quantas fogueiras mortas me mordem no centro,
Gerando cinzas, que tanto fazem doer.
Levanta-te de novo, ser que tudo abarcas;
Tu que desde há muito soubeste ressurgir.
Recusa a fraqueza de poder cair;
Põe no chão que pisas o brilho das tuas marcas,
Com uma rosa de amor, sempre a florir.
Faro, 30-7-2023
José Bento
Lindo Poema