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TU E EU

  • 9 de mai.
  • 1 min de leitura

Tu vais-me falando alto, com grosserias,

Mas eu falo-te de mansinho, com beleza,

Porque é assim, o falar da minha natureza;

É só com a paz, que ilumino os meus dias.

 

Tu falas-me displicente, com arrogância,

Mas eu falo-te docemente, com humildade.

Há muito que caí da minha exuberância,

E tive de mergulhar na minha profundidade.

 

Tu falas-me na posição de quem tem poder,

Mas eu falo, com o saber de quem provou o nada.

Já passei tanta queda e tanta estrada,

Que revi as minhas noções sobre o viver.

 

Tu falas ciente do teu grande valor,

Mas eu estou consciente de quão pouco valho.

Sei que o crescimento se forja na dor,

Por vezes com quedas, mas sempre com trabalho.

 

Se tivesses sentido aquilo que eu senti,

Falar-me-ias da forma como te falei.

Talvez, se soubesses o que hoje eu já sei,

Não cairias nos poços, onde eu já caí.

 

Há certas lições, que as palavras não ensinam;

É difícil iluminar uma consciência.

Todos vamos aprender, com a experiência,

Conforme o que as nossas precisões determinam.

 

Faro, 11-1-2025

 

José Bento

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