SE QUISERES VIR
- 9 de mai.
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Quando quiseres, já sabes que podes vir,
Mas, por favor, não demores na chegada,
Pois talvez, um dia destes, de madrugada,
Me façam as malas e tenha mesmo de partir.
Às vezes ficamos presos por inutilidades,
Enrolando em nadas, as malhas do destino;
E quando descobrimos as boas amizades,
O tempo para as desfrutar já é pequenino.
Afastamo-nos muito do que é essencial,
Perdendo gotas de nós, nas poeiras do caminho;
Desperdiçando luz, muito amor e carinho,
Jogando cartas falsas, num jogo que nos sai mal.
Como recordo esse bom tempo que era cedo;
Em que não chegavas, porque nunca partias;
Em que partilhávamos dores e alegrias;
Em que as nossas vidas se davam, sem segredo.
Se quiseres vir, por favor, vem antes da tarde;
Nesse tempo claro que dê para conversar.
A minha lareira é frágil, mas ainda arde,
E a minha casa só deseja ver-te entrar.
Faro, 13-1-2025
José Bento
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