SAUDADES
- 9 de mai.
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Tenho saudades do tempo em que, certa vez,
Tivemos um lar, com um casal e duas crianças.
Infelizmente, no amor, já não criam vocês,
Mas nós, os filhos, tínhamos muitas esperanças.
O vosso mundo girava cheio de crispações;
Mas o nosso era tão simples e transparente,
Iluminado por uma pureza refulgente,
Apesar das vossas conturbadas discussões.
Vocês, ainda jovens, queimavam a juventude;
Nós, as crianças, plantávamos o dia a dia.
Com a nossa pureza, criávamos poesia,
E vocês ainda sonhavam com a virtude.
Foi-se a casa, a humildade e a beleza;
Foi-se a virtude, o prazer e a criança;
Foi-se a luz que, em casa, estava acesa,
Criando na tormenta, faíscas de bonança.
A vida foi correndo, reagindo e buscando;
O tempo foi passando, mostrando e demolindo.
O nosso lar não conseguiu ir respirando
E vocês, um após outro, foram partindo.
E daquela vida simples que nós então tivemos,
Feita de amor, sem jogos nem preconceito,
Ficou uma canção, tocando no meu peito,
Falando do bem que, por descuido, não fizemos.
Faro, 2-9-2025
José Bento
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