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QUADRAS SOLTAS

2 de ago.
2 min de leitura

Se a dor te visitar,

Levando-te a alegria,

Pensa que a noite ao passar,

Vai trazer a luz do dia.


No meu jeito de sentir,

Eu costumo ser assim.

Tenho medo de me abrir,

Mas nada oculto de mim.


Foi já depois de fazer,

O mal que eu não queria,

Que passei a entender

Que eu não me conhecia.


Mesmo depois que se vão,

As horas mais infelizes

Deixam-nos no coração,

Bem profundas cicatrizes.


A gente que desanima,

Nas horas duras da vida,

Deixa de andar para cima,

Porque desiste da subida.


No saber da lealdade

E nos jardins da brandura,

A chave da humildade

Abre qualquer fechadura.


No viver que vai fluindo,

Encontrando as pessoas,

Devemos ir construindo

Um passar de horas boas.


Quem tiver a mente negra

Em tudo vê sujidade.

Usando a sua regra,

Até no bem vê maldade.


Quanto menos sorte tinha,

Mais gente dele fugia,

Porque a gente mais mesquinha

Crê que o azar contagia.


Gosto da tua maneira,

De iludir a ilusão,

Pois tens por meta primeira,

Saber pôr os pés no chão.


O maldoso por mais que ande,

Nunca sai da mesma cena.

Quer achar a sorte grande,

Mas colhe a sorte pequena.


A mentira é embusteira,

Cavalgando na maldade.

Ela vai muito ligeira,

Por ter medo da verdade.


Ele tem livre o seu caminho,

Nas ruas por onde passa,

Pois está sempre sozinho,

Quem tem consigo a desgraça.


A gente planta amarguras,

Dentro do seu coração,

Tendo nas suas fissuras,

A fonte da tentação.


A vida vai aceitando

O bem ou mal que lhe damos.

Mas tudo vai registando,

Cobrando quanto pagamos.


Esse que muito trabalha,

Para mostrar o que não é,

Há de ter sempre uma falha

No modo de pôr o seu pé.


Não foi no amor a dois

Que senti felicidade.

Busquei-a aí, mas depois,

Só a achei na amizade.


Quando queiras melhorar

A tua forma de ser,

Começa por debelar

O que mais te faz perder.


Se tu quiseres saber

As causas do teu penar,

Pensa que o teu renascer

Foi só um recomeçar.


De Deus vem sempre bondade;


De Deus vem sempre o amor.

Nós criámos a maldade,

A vingança e o rancor.


Temos um Pai tão bondoso,

Que vendo o nosso cair,

Nos permite ter um gozo,

Que pagamos no porvir.


Sinto a tua tristeza,

Se alguém te calunia.

Mas nas leis da natureza,

O bem tem sempre o seu dia.


Ninguém consegue prever

As sendas do seu futuro.

Nas tormentas do viver,

Jamais te dês por seguro.


Se algo tu tens de pagar,

Por contas do teu viver,

A vida vai-te cobrar,

Não te podes esconder.


A luz que mais alumia,


Com os olhos não se vê.

Brilha de noite e de dia,

Buscando achar um porquê.


Faro, 28-7-2026


José Bento

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