PARABÉNS PAI
- 9 de mai.
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Quantas vezes li, no teu passar silencioso,
Um dizer que morava na tua alma sofrida.
Talvez fosse uma cruz não entendida,
Ou o percorrer dum caminho mais escabroso.
Muitas vezes tentei desvendar o que não sabia;
Qual era a dor que te punha triste e distante;
Qual foi a porta que te trancou a alegria,
Misturando em ti o velho e o infante.
Mas um dia, querendo ficar, tu partiste,
Levando contigo horas mudas que suportaste;
Deixando por viver tantos anos que planeaste,
E comigo, uma questão que já não persiste.
Obrigado pelo que, por mim, sacrificaste,
E por aquilo que, por mim, tu aprendeste;
Pelo melhor que, de ti, então me deste,
E pelo muito que, ao teu modo, me ensinaste.
Hoje cá se celebrou o teu aniversário;
É mais uma data que chegou e que se vai.
Creio que o destino não foi arbitrário,
Ao pedir-te que me amparasses como pai.
Faro, 23-11-2024
José Bento
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