OS PÁRAMOS DA ETERNIDADE
- 9 de mai.
- 1 min de leitura
Enquanto menino, vi luzes que se acendiam,
Iluminando alguns recantos da minha vida.
Senti mãos bondosas que se estendiam,
Para me ajudarem, nos cansaços da subida.
Nesses tempos, eu sentia que tudo tinha,
Porque o viver de cada dia me bastava;
Porque andava no presente, e desfrutava
Cada hora, da manhã, até à noitinha.
Como é bom podermos viver assim no hoje,
Enchendo a alma da brisa vinda do agora;
Ir galopando no dorso do tempo que foge,
Sem prisões que nos retenham no outrora.
Que riqueza é essa de viver a emoção,
Mergulhando bem fundo, no mar da alegria;
Crendo nas boas mensagens do nosso coração,
Ao despertar com elas, no romper de cada dia!
Nesses bons tempos, para nós, só há permanência;
A família, os amigos e a vizinhança.
Então, estamos bem longe de ter consciência
Que é lindo, mas breve, o tempo de criança.
Vamos crescendo e a vida nos vai mostrando
Que essas luzes que nos eram essenciais,
Uma a uma, todas se irão apagando,
Para que, nesta vida, não se acendam jamais.
Quando damos por nós, já estamos sozinhos;
Já ninguém quer falar a nossa linguagem.
Os que andaram connosco, nos mesmos caminhos,
Já lá nos aguardam para outra viagem.
E assim, com esperança e com saudade,
E com um manto de ternura no sentimento,
Vivemos, até que um dia chegue o momento,
De nos revermos, nos páramos da eternidade.
Faro, 27-8-2025
José Bento
Comentários