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ONTEM NETO E HOJE AVÔ

  • 9 de mai.
  • 1 min de leitura

Ó saudades intensas que me ficaram,

De tempos tão luminosos que eu vivi;

De afetos tão profundos que eu senti

E que jamais, no tempo, se renovaram.

 

Havia então em mim tanta beleza,

Pois a esperança tudo tinha e tudo dava,

E, apesar do peso da incerteza,

Eu sempre ouvia um futuro que me chamava.

 

Havia uma história que começava;

Um romance turbulento que me impelia.

E quanto mais distância eu percorria,

Tanto mais era a força que me inundava.

 

Eram flores belas duma suave fragância;

Eram beijos sentidos, dum doce sabor.

Cada dia que vinha, era pleno de amor,

Porque era o tempo duma feliz infância. 

 

Que boa magia que esse tempo me deixou,

Enchendo-me de brilho e de muito afeto.

Foi quando a vida me ensinou a ser neto,

Que achei o saber, para hoje ser avô.

 

Faro, 29-12-2024

 

José Bento

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