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O TEU FADO MENOR

  • há 3 dias
  • 1 min de leitura

Ó minha terna e querida velhinha,

Que regavas com lágrimas um fado menor.

Apesar de estares débil e sozinha,

Enfrentavas a dor que a vida tinha,

Com uma canção de tristeza e amor.

 

Não existiam, nem guitarra nem viola,

Que apoiassem a expressão do teu cantar,

Aprendido por quem nunca foi à escola;

Por quem nunca teve caneta nem sacola;

Por quem soube bem cedo a lição de trabalhar.

 

Quando andaste descalça, nesse duro passado,

Em que tinhas por riqueza a força dos teus braços,

Nada mais belo, para amparar os teus passos,

Do que a dor desgarrada num triste fado.

 

Quando a madrugada, alto te chamava,

Pondo fim às voltas duma noite mal dormida,

O teu coração batia e cantava,

Um fado corrido, pelas malhas da vida.

 

Quando à tardinha, livre regressavas,

À tua humilde casinha de telha vã,

Envolta na esperança em que te banhavas,

Mesmo magoada, ainda cantavas

O fado da coragem de quem crê no amanhã.

 

Ainda hoje, nos ecos do tempo que passa,

Ouvindo a lição que a mestra vida me deu,

Ponho beleza em quaisquer flores de desgraça,

Tendo raízes, nesse cantar que foi o teu.

 

\Faro, 17-9-2025

 

José Bento

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