O TEU FADO MENOR
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Ó minha terna e querida velhinha,
Que regavas com lágrimas um fado menor.
Apesar de estares débil e sozinha,
Enfrentavas a dor que a vida tinha,
Com uma canção de tristeza e amor.
Não existiam, nem guitarra nem viola,
Que apoiassem a expressão do teu cantar,
Aprendido por quem nunca foi à escola;
Por quem nunca teve caneta nem sacola;
Por quem soube bem cedo a lição de trabalhar.
Quando andaste descalça, nesse duro passado,
Em que tinhas por riqueza a força dos teus braços,
Nada mais belo, para amparar os teus passos,
Do que a dor desgarrada num triste fado.
Quando a madrugada, alto te chamava,
Pondo fim às voltas duma noite mal dormida,
O teu coração batia e cantava,
Um fado corrido, pelas malhas da vida.
Quando à tardinha, livre regressavas,
À tua humilde casinha de telha vã,
Envolta na esperança em que te banhavas,
Mesmo magoada, ainda cantavas
O fado da coragem de quem crê no amanhã.
Ainda hoje, nos ecos do tempo que passa,
Ouvindo a lição que a mestra vida me deu,
Ponho beleza em quaisquer flores de desgraça,
Tendo raízes, nesse cantar que foi o teu.
\Faro, 17-9-2025
José Bento
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