O TEU CÉU RISONHO
- 9 de mai.
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És um homem trabalhador e cuidadoso,
Criando amor e harmonia no teu lar.
Para a família és muito carinhoso,
Não deixando que algo lhe possa faltar.
A tua esposa é extremamente zelosa,
Dando-te afeto, bem como aos vossos filhinhos.
A vida flui fácil, feliz e gostosa,
Reforçando as malhas dos vossos carinhos.
Mas ali, nos arrabaldes dessa cidade,
Há gente sem esperança, sem pão e sem lar,
Estando na procela, sem cais para descansar;
Sentindo frustração, no caos da ansiedade.
Ali, bem poucas ruas mais adiante,
Há crianças que não têm a doçura dum beijo;
No despertar da vida, o seu sol não é brilhante;
No brincar da infância, já vivem sem desejo.
Mas tu vais correndo, na aflição dos teus dias;
És um bom pai, bom esposo, bom cidadão;
Vês o teu lar, como sendo a tua missão,
Mas fora dele, não geras alheias alegrias.
Entrega aos carentes um pouco do teu dia;
Pensa naqueles que nem sabem ter a noite,
Que buscam, no tempo, as dores do seu açoite,
Maltratando a sorte, que lhes fica arredia.
Crê que, de todos, os mais doentes e infelizes
São os que perderam a esperança no viver.
Regam, com a descrença as suas raízes
E não querem abrir portas para se conhecer.
Mesmo que te rejeitem, dá-lhes a tua mão;
Leva a tua luz à porta da sua morada.
Há gente que precisa de ser despertada,
Para conseguir obter o seu perdão.
Se puderes, sai um pouco da tua estrada,
Reparando nos tormentos da sua beira.
Reparte o brilho da tua madrugada,
Com quem já não tem fogo na sua lareira.
Eu sei que tu não resolverás tudo sozinho;
Que deitarás gotas de água num oceano.
Mas Jesus apontou-nos o bom caminho,
Com o exemplo do Bom Samaritano.
Haverá muitos espinhos ferindo os teus pés;
Por muitos não lograrás ser entendido.
Mas porás mais brilho no diamante que tu és,
Sendo tanto mais feliz, quanto mais repartido.
Alegrar-te-ás com o calor dos lares alheios;
Com o sorrir das crianças que não são tuas.
E os teus olhos, felizes, ficarão cheios
Dessa abundante luz que espalhaste nas ruas.
Terás contigo Jesus, no fluir de cada hora;
O real será tão belo, que se funde no sonho.
Com flocos de paz, adornarás o agora,
Dando mais luz e cor ao teu Céu risonho.
Faro, 21-9-2025
José Bento
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