O TER E O SER
Não vivas para “ter;”
Mas “tem” para viver.
O “ter” dá-nos a permissão para utilizar algo que está fora de nós.
Mas o “ser” é a nossa essência, é o que nos define, é o que sempre nos acompanha, é onde se encontram os nossos valores ou defeitos, que transitam de dimensão em dimensão.
É no ser que está a nossa verdadeira riqueza, conforme os tesouros espirituais que tenhamos sabido angariar.
O “ter” dá-nos, à sua medida, a permissão para utilizar a matéria que nos rodeia, bem como o poder que nela tem o seu suporte.
Contudo, quando a vida material termina, o que está connosco é o “ser”, com o positivo e o negativo, conforme o que por nós foi edificado.
Nós podemos “ter” ou não “ter”, mas nunca podemos deixar de ser.
Quem, ao longo da vida física, se centrou basicamente em ampliar o “ter”, corre o risco de, ao cessar esta vida, ficar apegado aos bens materiais e às situações de relevância e poder de que desfrutava, mas que de nada lhe valem, na dimensão espiritual.
De facto, ao longo da vida física, muitas pessoas criam, em relação às coisas ou aos poderes, como que uma relação afetiva, revendo-se e sentindo a sua realização naquilo que “têm,” ou naquilo que “podem”.
Essas pessoas não se conscientizam da natureza provisória da vida física, apesar de saberem que a morte física é inevitável.
Vão evitando pensar nisso, confiando sempre que a morte ainda está distante.
Quando a morte do corpo físico acontece, essas pessoas sentem-se vivas, no seu corpo espiritual e, como o seu centro de interesse continua a estar na matéria, em muitos casos, essas pessoas não aceitam a ajuda que amigos e familiares, que já estão na dimensão espiritual, lhes vêm dar, para serem conduzidas aos locais onde podem ter uma existência de acordo com o as suas necessidades espirituais.
Então, essas pessoas continuam agarradas aos seus bens materiais, aos seus poderes, vagueando pelas casas, pelas empresas, enfim por aquilo que era seu, tentam continuar a ser aquilo que antes eram, sem que o consigam, tentam comunicar-se com os que cá ficaram, normalmente sem sucesso, e, por causa dessa sua doentia fixação, por vezes permanecem por muitos anos em sofrimento, junto dos bens materiais, criando angústias para si mesmas, e soltando energias negativas para todos aqueles que, estando ainda na vida física, passam a desfrutar dos bens que antes lhes pertenciam.
Sábio é aquele que, em devido tempo, reconhece que os bens materiais apenas lhe estão emprestados por Deus, para uma justa finalidade e que sabe abrir mão deles, logo que deixa a vida física, orando ao Senhor, para receber auxílio, na sua adaptação à nova forma de existência a que tem acesso, depois da morte do corpo material.
Pensemos nisto:
Na viagem que fazemos pela vastidão da existência, nas horas boas e nas menos boas, quando vier a dor ou o riso, enquanto estivermos na dimensão espiritual, ou na dimensão material, teremos sempre, sem que ela nos abandone, a companhia do “SER”,” que terá tanto mais luminosidade, quanto mais fizemos por nos espiritualizar no bom sentido.
Faro, 10-3-2026
José Bento
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