O MEU QUERIDO ALGARVE
- 9 de mai.
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Que lindo era o Algarve de antigamente,
Quando eu sonhava, tanto quanto eu queria;
Quando eu fruía uma beleza permanente,
Que dimanava de tudo o que me envolvia.
Que paz eu sentia, nesta terra amada minha,
Onde me aquecia, com faíscas de futuro,
Enquanto andava, desfrutava e me detinha,
Nos campos tranquilos, cheirando a figo maduro.
Que doçura foi essa que encontrei,
Deitando-me nos braços da calma Ria Formosa;
Dizendo-lhe baixinho factos que não divulguei,
Numa empatia profunda e proveitosa.
Nos Reis, em charolas, ao som de versos felizes,
Bordeira vinha à rua, cantando com a gente.
Ficavam mais profundas as minhas longas raízes,
Pondo um bom passado, nas tintas do meu presente.
Mestres João Bexiga e José Ferreiro Pai,
Vós levastes beleza à alma Bordeirense;
Por vós eu entendi que o meu coração pertence
A Bordeira, donde se parte, mas jamais se sai.
Da Tor, de Loulé, lá de Alte, ou de Salir,
Trouxe-me a vida gente de muita lealdade.
Gente que me deu coragem para prosseguir;
Que plantou, no meu caminho, a flor da amizade.
E quantos foram os romances que entendi,
Na altivez exposta da Ponta da Piedade;
Onde recitei e, frase a frase reli,
Poemas temperados por uma grande saudade.
Em Sagres, sentindo o gosto do mar que começa,
Ouvindo o oceano que, em baixo bramia,
Olhei a vida, que se escoava sem pressa,
À medida que eu, dela menos entendia.
De pé, junto ao rio, na calma de Alcoutim,
Pensando em amores que, em tempos já tivera,
Dei pelos meus olhos, que choravam por mim,
Por ter perdido ali, parte da primavera.
Foram tantos os caminhos por onde andei,
E tantas as boas situações que vivi,
Que o Algarve foi a escola que frequentei,
E onde, aos encantos da vida, me rendi.
Quando as leis Divinas me fizerem regressar,
Para repassar lições que hoje não aprendi,
Se tiver a chance de escolher qual o lugar,
Vou pedir a Deus que me deixe renascer aqui.
Faro, 2-8-2025
José Bento
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