O MEU PRIMEIRO BEIJO
- 9 de mai.
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Foste tu que, certo dia me beijaste,
Quando eu do beijo, quase nada conhecia;
Quando, do amor, era pouco o que eu sabia,
Nesse tempo em que, num beijo, me conquistaste.
Mas tu quiseste-me tanto, naquele instante,
Deste-me amor, com tal paixão e intensidade,
Que jamais me pude livrar da muita saudade,
Desse teu afeto profundo, puro e marcante.
Estava eu na vida, quase na sua entrada,
Ignorando como um beijo era valioso,
Desconhecendo como eu era tão ditoso,
Ao poder beijar uma alma apaixonada.
À medida que a vida foi decorrendo,
E que eu não tinha o que tanto desejava,
A tua dádiva surgia, resplandecendo,
Para que eu pudesse sentir e ir sabendo,
Qual era aquela dádiva que me faltava.
Sem saber, tu beijaste um mar de carência,
Pondo em zonas tristes, versos de alegria;
Dando um breve real a uma fantasia,
De quem não podia ter amor nesta existência.
Era uma dívida que vinha comigo,
Radicada em erros de longos passados,
Contraída, por mim, em amores maltratados,
Mas que se adoçou, ao poder estar contigo.
Hoje sei que muitas relações que há no mundo
Têm um afeto meramente formal.
É um dar, sem gosto, obrigacional,
Um amor, sem prazer, sem raízes no fundo.
O teu beijo aqueceu-me a vida inteira,
Porque falou de ti, numa sincera emoção.
Imprimiu amor, no meu carente coração,
Que não voltou a arder, com ninguém, noutra fogueira.
Faro, 30 de agosto de 2022
José Bento
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