O MEU POEMA
Perguntas-me tu onde é que eu estou,
Mas eu hesito na forma de te responder.
Estou a caminho de saber o que sou,
E ainda em busca de não mais me perder.
Perguntas-me tu, às vezes, o que é que fiz,
Mas eu talvez não o consiga descrever,
Porque, querendo alegria, era infeliz,
Errando muito, nos trilhos a percorrer.
Podes descrer deste meu gesto tão sereno;
Destas minhas aparentes tranquilidades.
Sob esta máscara grande, vive um ser pequeno,
Que quer emergir das suas debilidades.
Elevo a mente e busco ver lá no alto,
Uma luz que entre, nestas minhas densas matas.
Por vezes, ando de pé, chamo por mim e não falto,
Mas há dias em que a dor me faz ir de gatas.
Perguntas-me também para onde é que irei;
Mas, vertendo lágrimas, só posso acrescentar
Que, algures, no universo, há um lugar,
Onde, tranquilo, um dia, me acolherei.
Irmãos, amigos do mundo espiritual;
Quantas vezes aclarastes os meus olvidos;
Quantas vezes me apoiastes em tempos idos,
Falando-me de fé e de amor global!
Se todos sentissem, em múltiplas dimensões,
Que coexistem, se tocam e se completam,
Entenderiam as incógnitas e razões,
Que os perturbam, inquietam e afetam.
Se acima dos poderes e dos egoísmos,
Imperasse a visão da realidade,
Ruiriam as cortinas dos dogmatismos,
Em prol duma melhor espiritualidade.
Meu poema, derrama a tua luz e beleza
Sobre a via do tempo, que nos envolve.
Enche a minha alma do fluir da natureza,
Que o resto, podes crer, Deus o resolve.
Faro, 4-10-2025
José Bento
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