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O MEU POEMA

17 de abr.
1 min de leitura

Perguntas-me tu onde é que eu estou,

Mas eu hesito na forma de te responder.

Estou a caminho de saber o que sou,

E ainda em busca de não mais me perder.

 

Perguntas-me tu, às vezes, o que é que fiz,

Mas eu talvez não o consiga descrever,

Porque, querendo alegria, era infeliz,

Errando muito, nos trilhos a percorrer.

 

Podes descrer deste meu gesto tão sereno;

Destas minhas aparentes tranquilidades.

Sob esta máscara grande, vive um ser pequeno,

Que quer emergir das suas debilidades.

 

Elevo a mente e busco ver lá no alto,

Uma luz que entre, nestas minhas densas matas.

Por vezes, ando de pé, chamo por mim e não falto,

Mas há dias em que a dor me faz ir de gatas.

 

Perguntas-me também para onde é que irei;

Mas, vertendo lágrimas, só posso acrescentar

Que, algures, no universo, há um lugar,

Onde, tranquilo, um dia, me acolherei.

 

Irmãos, amigos do mundo espiritual;

Quantas vezes aclarastes os meus olvidos;

Quantas vezes me apoiastes em tempos idos,

Falando-me de fé e de amor global!

 

Se todos sentissem, em múltiplas dimensões,

Que coexistem, se tocam e se completam,

Entenderiam as incógnitas e razões,

Que os perturbam, inquietam e afetam.

 

Se acima dos poderes e dos egoísmos,

Imperasse a visão da realidade,

Ruiriam as cortinas dos dogmatismos,

Em prol duma melhor espiritualidade.

 

Meu poema, derrama a tua luz e beleza

Sobre a via do tempo, que nos envolve.

Enche a minha alma do fluir da natureza,

Que o resto, podes crer, Deus o resolve.

 

Faro, 4-10-2025

 

José Bento

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