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O AMOR QUE MORREU

  • 9 de mai.
  • 1 min de leitura

Não mentirei, se disser que sinto nostalgia,

Lembrando o tempo do nosso partilhar,

Quando o nosso desejo fazia brotar

Uma sincera dádiva, em plena harmonia.

 

Nesses tempos, sempre sabíamos dizer

Frases belas, que o outro queria ouvir.

Estávamos na mesma onda para sentir,

Toda a beleza que havia por viver.

 

Eram esses os dias da nossa juventude,

Em que vivíamos por ideais nobres,

Pondo em tudo luzes de magnitude;

Quando sabíamos ser ricos, mesmo sendo pobres.

 

Como não hei de lembrar o teu sorriso terno;

Essa doçura estampada no teu rosto,

Mostrando a tua candura e o teu gosto,

Vivendo em cada dia, o sopro do eterno.

 

Onde ficou tudo isso, meu amor de então?

Quanto mais o tempo passa, mais sei responder:

As más palavras que nos mancharam o coração

Fixaram-nos demais nos buracos do chão,

Apagando as estrelas do nosso viver.

 

A onda material, de todo, nos corrompeu;

O tesouro espiritual saiu-nos do peito.

O nosso amor, que era puro e sem defeito,

Não resistiu à nossa ausência e morreu.

 

Faro, 16-3-2024

 

José Bento

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