NÃO TE PERCAS DE MIM
Perdemo-nos em recantos da vida,
Separados por difíceis contingências,
Que agitavam duas existências,
Postas em diversos planos da subida.
Nesse tempo, eu não me conhecia;
Mas no que te dava, era verdadeiro.
Eu queria cumprir o que prometia,
Mas tinha de conquistar-me primeiro.
Puro, eu sonhava com a beleza,
Não sabendo como a preservar.
Era aquele ser que ama e reza,
Mas que se engana, ao praticar.
Sei que nos encontrámos fora de horas,
Quando eu mal acabara de cair.
Perdoa; vai dizendo onde moras,
Para que nos voltemos a unir.
Vou recompondo as minhas migalhas,
Apoiado na fé, mas também na dor,
Para dar-te alguém com menos falhas,
Que seja firme ao falar de amor.
Talvez um dia tenhamos um lar,
Que tenha o amor por viga central;
Onde quem se perdeu se possa achar,
Sentindo a luz dum nobre ideal.
Ou talvez eu chegue tarde demais,
Quando já não queiras ficar comigo.
Mesmo assim não olvido jamais,
Que foi bom descansar no teu abrigo.
O bem que fizemos sempre perdura,
No coração de quem o recebeu.
Eu ainda me banho na doçura
Do bem que a tua alma me deu.
Faro, 30-6-2026
José Bento
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