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NÃO TE PERCAS DE MIM

3 de jul.
1 min de leitura

Perdemo-nos em recantos da vida,

Separados por difíceis contingências,

Que agitavam duas existências,

Postas em diversos planos da subida.


Nesse tempo, eu não me conhecia;

Mas no que te dava, era verdadeiro.

Eu queria cumprir o que prometia,

Mas tinha de conquistar-me primeiro.


Puro, eu sonhava com a beleza,

Não sabendo como a preservar.

Era aquele ser que ama e reza,

Mas que se engana, ao praticar.


Sei que nos encontrámos fora de horas,

Quando eu mal acabara de cair.

Perdoa; vai dizendo onde moras,

Para que nos voltemos a unir.


Vou recompondo as minhas migalhas,

Apoiado na fé, mas também na dor,

Para dar-te alguém com menos falhas,

Que seja firme ao falar de amor.


Talvez um dia tenhamos um lar,

Que tenha o amor por viga central;

Onde quem se perdeu se possa achar,

Sentindo a luz dum nobre ideal.


Ou talvez eu chegue tarde demais,

Quando já não queiras ficar comigo.

Mesmo assim não olvido jamais,

Que foi bom descansar no teu abrigo.


O bem que fizemos sempre perdura,

No coração de quem o recebeu.

Eu ainda me banho na doçura

Do bem que a tua alma me deu.


Faro, 30-6-2026


José Bento

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