JULGAMENTO, VIDA E ETERNIDADE
Não me faças julgar os teus comportamentos,
Quando nem os meus, por vezes consigo julgar.
São muito complexos alguns dos nossos momentos,
Havendo conexões difíceis de explicar.
Não me peças para julgar em causa alheia,
Quando da minha causa me sinto ignorante.
O nosso querer atual provém duma teia,
Que nasce no nosso passado bem distante.
Muito do que somos está no inconsciente,
Sedimentado na senda das reencarnações;
Ligando-se a tantos factos e tanta gente;
Comprimido entre alegrias e deceções?!
Fomos crianças, em lares que nos desampararam;
Fomos adultos, em tronos que nos envaideceram?
Já chorámos, pelas esmolas que não nos deram;
E trucidámos, com forças que nos entregaram.
Deus, que é imenso amor e sabedoria,
Não condena, nem absolve definitivamente.
Há um tribunal, no existir de cada dia,
Para que, cada um se julgue eternamente.
Faro, 18-5-2025
José Bento
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