INFÂNCIA
- 9 de mai.
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Que tempo tão lindo era aquele,
Em que a gente sempre crescia;
Em que a nossa alma vivia,
Sendo sincera, à flor da pele.
Bela infância da madrugada,
Longe dos ecos do entardecer.
Um novo mapa, a nova estrada,
Nova chance para compreender.
Que tempos esses, maravilhosos,
Em que cada hora era amiga;
Quando no trautear da cantiga,
Nos sentíamos sempre ditosos.
Eram os tempos em que o amor
Nos era concedido por graça,
Como uma boa brisa que passa
E tudo perfuma em derredor.
Eram anos de grande magia,
Em que tínhamos beijos tão ternos!
Quando a vida não se media,
Porque a gente julgava e cria,
Que os bons momentos eram eternos.
Infância, quando a força dava
Mais gosto às nossas brincadeiras;
Quando o prazer nos abrasava,
Sem questões e sem barreiras.
Infância, bom tempo de chegada,
Em que se vive sempre no presente;
Quando a alma está encantada,
Está rica e está marcada
Pelo gosto de estar contente.
Infância dos anos dourados;
Dos lindos jardins da fantasia;
Dos contos de reinos encantados,
Onde o real jamais havia.
Infância dos jogos de rua,
Com prazer e sem cuidado;
Com umo futuro bem iluminado
Pela entrega minha e tua.
Belos tempos em que a saúde
Era um bem sempre garantido.
Tempos em que tínhamos virtude,
Sem que o tivéssemos sentido.
Tempos que nos deixaram saudades
De tantas bolas lá perdidas,
Que deram muita luz às nossas vidas
E força às nossas amizades.
Éramos pequenos com grandeza,
Abrindo essa nossa janela,
Para o retrato da beleza,
Falando a sorrir, com ela.
Batíamos às portas da vida,
De mente ainda bem liberta,
Para fazer a descoberta
De mais uma emoção não sentida.
Era esse o bom tempo de ter,
Bem mais clara a nossa essência,
Instalando na consciência,
O novo mapa do nosso viver.
Algo me ficou dessa altura,
Quando sentir era o meu altar:
Foi o desejo de ternura
E muita capacidade de amar.
Faro, 4-4-2025
José Bento
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