INCONGRUÊNCIAS
Estamos tão longe, ou será que estamos tão perto?
É natal, mas falta-me o vosso carinho.
Hoje sou adulto, e estou bem mais desperto,
Mas sinto-me mais triste, perdido e sozinho.
Talvez não seja grato, com o processo da vida,
Ao desprezar boas lições que ela me deu.
Não devo ficar no tempo da nossa despedida,
Pois, no após, houve muito de bom que sucedeu.
Convosco, eu sentia-me muito abrigado
Pelos apoios amorosos que eram os vossos;
Mas hoje, que passaram os tempos que eram nossos,
Mesmo tendo crescido, estou mais debilitado.
Vivo assim, numa difícil incongruência,
De quem deseja o tempo em que menos sabia;
Em que menos se visitava e se conhecia,
Não abrindo novas portas na sua consciência.
Faço o poema, mas recupero lucidez;
Em cada frase, clareiam-se as ideias.
Deixei velhas praias, para sentir novas areias;
Erraria, se voltasse àquela pequenez,
Deixando-me amarrar por antigas cadeias.
Saem as frases e volto à realidade;
Fluem ideias e eu fico mais aberto.
Bendita seja essa boa claridade,
Que me faz usar as asas da liberdade,
Para criar um oásis, no meu deserto.
Faro, 24-12-2024
José Bento
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