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HÁ PASSADOS

17 de abr.
1 min de leitura

Há passados que deixam pesos dentro de nós,

Causando um barulho difícil e denso,

Gerando um desconforto muito intenso,

Incomodando com o doer da sua voz.

 

Há passados que são presentes a vida inteira,

Remexendo num caldo morno de tristeza;

Turvando-nos a decisão e a certeza,

Deixando brasas duma sofrida fogueira.

 

Há passados que agora nos fazem chorar,

Pondo cores escuras, no nosso existir.

Mostram-nos as dores do nosso tropeçar,

E as mazelas expostas do nosso cair.

 

Eu tenho passados desses na minha bagagem;

São ares tóxicos que me põem maldisposto;

São invernos que se instalam em agosto,

Perturbando o brilho da minha viagem.

 

Quando lembrava esses passados tinha medo;

Eles vinham a mim, e eu ficava partido;

Sentia-me torturado e perseguido,

Guardando-os num aparente segredo.

 

Mas certo dia, chegou-me a revelação;

Soltei os passados, para fazer o presente.

Tirei deles o melhor, para ser mais consciente;

Integrei o que aprendi, na minha construção.

 

Venham a mim, passados desta minha vida;

Podem falar-me das lágrimas que chorei;

Mostrem-me, sem mentir, cada dor por mim sentida;

Cada pedra que, por mim foi removida,

Para que surgisse o homem em que me tornei.

 

Faro, 10-3-2024

 

José Bento

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