ESTRADAS DA PAZ E DO PERDÃO
É curta, mas valiosa a nossa história,
Que decorre entre o nascimento e a morte.
Pensamos jogar aí o azar ou toda a sorte,
Todo o futuro, a derrota ou a vitória,
Como se a morte fosse o fim do caminho,
A meta do fracasso, ou de toda a glória.
Não vemos que a vida com que fomos brindados,
Só é um novo ensejo de clarear ideias,
De corrigir vícios, sombras e passados,
Rompendo correntes de velhas cadeias,
Em que os preconceitos nos têm encarcerados.
Mantemos a alma chumbada à terra,
Enquanto o Céu nos chama para o firmamento.
A matéria nos bloqueia e encerra,
Erguendo paredes, no nosso pensamento.
Agarramo-nos à nossa parte que passa,
Desprezando essa parte que permanece.
Pomos o tesouro numa débil barcaça,
Que se gasta, se afunda e apodrece.
Lutamos por fronteiras, por erros, por casas,
Por Dinheiros, por frases, por ideologias.
Rebocamo-nos, no lodo, gastando os dias,
Retirando a potência das nossas asas.
Mas, um dia, virá a hora da partida,
Quando o que amámos permanece deste lado,
E quem não se iluminou, nesta vida,
Vai embora triste, só e desorientado.
Tal e qual aves ainda inexperientes,
Não temamos voar, rumo ao infinito,
àquele azul grandioso e bendito,
Onde se harmonizam as vidas e as gentes.
Temos o dever e a missão de existir;
De utilizar bem o dom da inteligência.
Uma das leis da vida manda-nos evoluir,
E outra manda-nos pôr mais amor na consciência.
Tenhamos a coragem, que as forças nos permitam,
Escolhendo o amor, dissipando o ódio.
Façamos da vida um feliz episódio,
Amando bem, como as lições de Jesus incitam.
Andemos firmes, rumo à sublimação;
Criemos sendas belas, nos campos do porvir;
Não nos cansemos de criar, buscar e construir
As estradas do amor, da paz e do perdão.
Faro, 3-11-2025
José Bento
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