DUAS VIDAS ENCONTRADAS
- 9 de mai.
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Dá-me a tua mão cálida, meu amor,
Pois sei que buscas outra mão como a minha.
Eu também procuro a tua, em meu redor,
Porque estou sem ninguém, e tu estás sozinha.
Talvez seguisses ontem, no carro amarelo
Que quase me atropelou, no meio da estrada.
Talvez fosses tão presa e apressada,
Que nem viste o meu sinal, a medo e singelo.
Mas digo que preciso doutra mão como a tua,
Capaz de dar o muito amor que tem no peito;
Capaz de cuidar-me, do seu próprio jeito,
Sendo a minha casa, mesmo na rua.
Tu nem imaginas, como eu sou tão criança;
Como faço dos anos os meus próprios brinquedos;
Como, já adulto, suporto tantos medos,
E como as desilusões, me deram esperança.
Há muito que navego sozinho, em alto mar,
Açoitado por ventos, que brincam comigo;
Ensombrado por vagas, que me podem esmagar,
Se não achar a tua mão, para me dar abrigo.
Eu sei que, algures, também estás carente,
Querendo ter alguém que te possa entender;
Quem, mesmo sem que o digas, saiba compreender
Que necessitas muito dum apoio urgente.
Talvez estejamos tão perto, mas afastados;
Talvez estejas sentada naquela mesa.
Talvez pudéssemos fazer a surpresa
De sairmos daqui, com os dedos entrelaçados.
Como eu gostava de partilhar a minha vida,
Com outra vida, a quem a minha completasse;
Com alguém que, comigo sentisse e amasse,
Seguindo ambos no roteiro da subida!
Não há felicidade fora da pureza;
Não há amor se não houver harmonia.
Duas almas unidas é um dom da natureza;
Duas vidas encontradas geram sintonia.
Faro, 25-11-2023
José Bento
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