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DOENÇA E FÉ

  • 19 de abr.
  • 1 min de leitura

Crê que tens as minhas portas sempre abertas,

Para que descanses em mim as tuas mágoas.

Sei quanto estão revoltas as tuas águas

E quanto as tuas horas andam incertas.

 

Eu sou muito pequeno e insignificante,

Para apagar esse fogo que te consome;

Para poder saciar a grande fome

Que tens de algum conforto, neste instante.

 

Eu sei quanto a doença te molesta;

Quanto a incapacidade te amedronta.

Tens febril e inquieta a tua testa,

Desejando a calma, que há muito não desponta.

 

As doenças provêm de múltiplas cicatrizes,

Que fomos gerando nos corpos do nosso ser;

Que derivaram de atos menos felizes,

Que praticámos no processo do viver.

 

A doença é um padecer transitório,

Provocado pela nossa desconformidade.

É um estado reparador e provisório,

Que nos conduz à saúde e felicidade.

 

Sabendo isto, crê que Deus não te desampara;

Mesmo sofrendo, faz o melhor ao teu alcance.

Quanto mais fé, mais depressa vem a tua chance

De seres feliz, numa dimensão pura e clara.

 

Nessa altura, sentirás um novo alento;

Um novo brilho dimanará dos olhos teus;

Ficará saciado o teu ser hoje sedento,

Recebendo a paz e o amor que vêm de Deus.

 

Faro, 13-4-2023

 

José Bento

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