CRIANÇA QUE BRINCAS
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Criança que brincas num passeio da cidade,
Com uma pequena bola multicolor,
Ainda não conheces o poder da maldade
E careces muito de compreensão e amor.
Tu tens a luz duma flor que está desperta,
Para respirar o hálito da natureza.
Ainda te encontras limpa e liberta,
Para desfrutar do perfume da pureza.
Criança que vais correndo atrás duma bola,
Num qualquer passeio dessa cidade.
Vais aprender que a vida é uma escola,
Que o tempo nos joga, nos foge e rebola,
Marcando-nos golos, com provas de saudade.
Tal e qual essa bola que salta redonda,
Nós vamos sempre pulando de hora em hora;
Perdemos a noção do tempo, em cada agora,
Enquanto mergulhamos de onda em onda.
De repente, estamos no cimo, raiou o dia,
Mas já depois, estamos em baixo, desceu a noite.
A boa sorte traz-nos fogos de alegria,
Mas a dor faz-nos chorar, com o seu açoite.
Vais sentir, certamente, em qualquer momento,
Que, por egoísmo, mentira e por vaidade,
Há muitas crianças que, sendo da tua idade,
Muito sofrem, por falta de amor e alimento.
Talvez, no futuro, queiras ser irmã,
Daqueles que sobrevivem no meio do nada,
Que vagueiam sem esperança e sem manhã,
Numa curta infância desencantada.
Eles nunca ouviram histórias de fadas,
Nem sequer de reinos vastos e maravilhosos.
Foram passando contas de terços dolorosos,
Com oportunidades sempre negadas.
Todos renascemos, para amar e crescer,
Tripulando a nossa nave do evoluir.
Terás o teu próprio tempo de entender
Que, quando chega a nossa hora de partir,
Só levamos connosco o que conseguimos ser,
Sendo mais ditosos, os que mais fizeram sorrir.
1-6-2022
José Bento
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