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CRIANÇA QUE BRINCAS

  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Criança que brincas num passeio da cidade,

Com uma pequena bola multicolor,

Ainda não conheces o poder da maldade

E careces muito de compreensão e amor.

 

Tu tens a luz duma flor que está desperta,

Para respirar o hálito da natureza.

Ainda te encontras limpa e liberta,

Para desfrutar do perfume da pureza.

 

Criança que vais correndo atrás duma bola,

Num qualquer passeio dessa cidade.

Vais aprender que a vida é uma escola,

Que o tempo nos joga, nos foge e rebola,

Marcando-nos golos, com provas de saudade.

 

Tal e qual essa bola que salta redonda,

Nós vamos sempre pulando de hora em hora;

Perdemos a noção do tempo, em cada agora,

Enquanto mergulhamos de onda em onda.

 

De repente, estamos no cimo, raiou o dia,

Mas já depois, estamos em baixo, desceu a noite.

A boa sorte traz-nos fogos de alegria,

Mas a dor faz-nos chorar, com o seu açoite.

 

Vais sentir, certamente, em qualquer momento,

Que, por egoísmo, mentira e por vaidade,

Há muitas crianças que, sendo da tua idade,

Muito sofrem, por falta de amor e alimento.

 

Talvez, no futuro, queiras ser irmã,

Daqueles que sobrevivem no meio do nada,

Que vagueiam sem esperança e sem manhã,

Numa curta infância desencantada.

 

Eles nunca ouviram histórias de fadas,

Nem sequer de reinos vastos e maravilhosos.

Foram passando contas de terços dolorosos,

Com oportunidades sempre negadas.

 

Todos renascemos, para amar e crescer,

Tripulando a nossa nave do evoluir.

Terás o teu próprio tempo de entender

Que, quando chega a nossa hora de partir,

Só levamos connosco o que conseguimos ser,

Sendo mais ditosos, os que mais fizeram sorrir.

 

1-6-2022

 

José Bento

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