CRIANÇA
- 9 de mai.
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Minha querida e maravilhosa criança,
Quando a tua meninice estiver distante,
é que vais sentir como era importante
Aquele gosto de viver, que te deu pujança.
Corrias sempre na estrada do presente,
E, desse modo, construías o teu futuro.
No teu mundo, nada havia de obscuro,
E na senda da vida, nunca estavas ausente.
Ó minha querida e tão doce criança,
Como me acalmaram os carinhos que me deste!
Como havia luz, no dia em que vieste,
Acendendo o sol da paz, na minha esperança.
Senhor, como é sublime esse momento,
Em que podemos beijar uma face renovada,
Que, tendo nascido, tem a luz da madrugada;
Que, sendo inocente, tem cheiro a firmamento!
Criança, que tens contigo um campo muito verde,
Trazendo conquistas e também muitas promessas.
Planta amor, nessa senda que atravessas,
Pois, na vida, há muita gente que cai e se perde.
Porque nós andamos, num trilho de ida e volta,
Circulando de dimensão em dimensão;
Aprendendo no livro da resignação,
A escrever mais amor e menos revolta.
Vêm os filhos e nós, felizes os recebemos,
Tal como outros, depois nos receberão.
Alguém nos dará, tanto quanto nós demos;
E o que negámos, outros nos recusarão.
Criança, és um rebento vindo da natureza;
Uma doçura, com ânsias de crescer.
Na fase adulta, mantém o cristal da pureza,
Eleva os dons da fé, do amor e da nobreza,
Aproveitando a lição, nesta chance de viver.
Faro, 18-11-2025
José Bento
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