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CONVITE DE NATAL

17 de abr.
1 min de leitura

Vem passar o natal à minha casa de tristeza,

Onde a doença, este ano, fez morada;

Onde a morte, já está anunciada;

Com um misto de compaixão e de certeza.

 

Passa o natal, nesta casa de humanidade,

Onde o mais débil é sempre levantado;

Onde quem adoece não deixa de ser tratado,

Onde se vive até à morte, com dignidade.

 

Passa o natal, na minha casa acolhedora,

Em que a porta se abre, para quem precisa.

Quem aqui mora, o que sente e o que visa

É apoiar alguém, no passar de cada hora.

 

Mas numa casa dessas, assim com tantos problemas,

Como pode o natal viver-se, como festa?

Nesta casa, há gestos de amor que são poemas,

Porque a gente põe na mesa, tudo o que resta.

 

A nossa festa é de fé e resignação,

Crendo que a vida é um passo na existência;

Que a doença não destrói a nossa essência,

E que, se chegou, foi para a nossa proteção.

 

Nessa noite, existem anjos, em derredor;

A fé e gratidão serão a nossa grande luz;

Cantaremos com vibrações dum puro amor,

Um hino de glória a Deus Nosso Senhor,

Por nos ter enviado o Cristo Jesus.

 

Faro, 9-12-2023

 

José Bento

 

 

Nota:

 

De facto, nesse Natal, houve um membro da família que estava afetado por uma doença fatal e causadora de grande sofrimento, tendo vindo a falecer menos de um mês após.

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