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CARTA PARA UMA AMIGA QUE PARTIU

  • 9 de mai.
  • 1 min de leitura

Lembro-me de estarmos juntos numa ponte,

Quando éramos ainda adolescentes;

Quando subíamos, com pureza, o mesmo monte,

Partilhando a beleza do mesmo horizonte,

E entrando nas manhãs, sempre sorridentes.

 

Ouvíamos qualquer canção num rádio de pilhas;

Líamos um poema, na pétala duma flor.

Nas asas da mente, andávamos muitas milhas,

Em estradas de sonho, de pureza e amor.

 

Éramos felizes, no balançar da vida;

Tínhamos ilusões que o vento levava.

Víamos o viver pela nossa medida,

Pensando que esse belo tempo não passava.

 

Vivíamos simplesmente, sem pretensões;

Sem mentiras e sem ânsias de poder.

Só havia bondade, nas nossas intenções;

Queríamos para todos, um bom amanhecer.

 

A toda a hora, tu plantavas alegria,

Pegando no bem, sempre para o repartir.

Punhas uma jarra de flores, em cada porvir,

Tocando a teu modo, o tom da harmonia.

 

No seu fluir, a lei da vida nos separou;

Cada um foi lendo as folhas do seu existir.

E quando tiveste mesmo de partir,

Houve uma saudade de ti, que não me deixou.

 

Há um doce lembrar, que sinto nos meus dias,

Quando a mente me traz o teu cantar de menina.

Recordo que era grande a luz, quando sorrias,

E constato como a vida é tão pequenina.

 

Onde estiveres, a bondade está contigo;

No mar da existência, o bem sempre prospera.

Sei que, quando o inverno vier ter comigo,

Irei achar-te feliz, numa linda primavera.

 

Faro, 24-4-2024

 

José Bento

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