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ATÉ JÁ MINHA QUERIDA

  • 9 de mai.
  • 1 min de leitura

Batem cadenciadas, uma hora e outra hora,

Numa sala onde é triste a luz do dia;

Onde já não há uma rima de alegria,

Porque lá vive alguém que, ao falar, também chora.

 

Passam as horas, numa monótona cadência;

Passam os dias, no seu difícil passar.

Mas lá está alguém que não deixa de chorar

Uma perda, uma dolorosa ausência.

 

Eu sei como é difícil a separação

De dois seres que se querem e que se ajudam.

Mas os verdadeiros sentimentos não mudam,

Mesmo que alguém passe, para outra dimensão.

 

Em vez de lágrimas, manda-lhe muito amor,

Para ajudá-la, nesse novo ambiente.

A melhor forma de não ficares tão carente,

É, cada dia, dar-lhe mentalmente uma flor.

 

Ela foi sem ti, mas levou-te no coração;

Ficaste sem ela, sorvendo a tua dor.

Em vez de lágrimas, manda-lhe preces, com fervor,

Pois assim se dissipam as trevas da solidão.

 

Diz-lhe que o teu amor é firme, como antes;

Que ela está ausente, mas não está perdida.

Entrega-lhe doçura a todos os instantes;

E diz-lhe ternamente: até já, minha querida.

 

Faro, 9-8-2024

 

José Bento

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