AS LÁGRIMAS DUMA CRIANÇA
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Ali está um menino, chorando sozinho,
Num recanto sombrio dum tosco terraço.
Tem saudades doutra gente, doutro espaço,
Quando tinha família e muito carinho.
Ali está um livro, falando de inocência,
Crivado de muitas dores e frustrações.
As lágrimas são a força da sua impotência,
E tem a mente cheia de más recordações.
Ali está alguém que há pouco começou,
Mas que já tem consigo o sabor do tormento.
A sua alma exala a cor do sofrimento,
Pois perdeu amores, que jamais recuperou.
Os braços fortes do pai, a guerra já os tragou;
Os meigos beijos da mãe, sabe Deus onde estão.
Ele sente que tem de luto o coração,
À espera da boa nova que nunca chegou.
Quem quer saber desta sentimentalidade!
Dum menino que ali chora desamparado!
Quem se importa com tal infelicidade,
Ou com o seu imaginário já destroçado?
Vem ao meu colo, minha tão doce criança;
Vamos ambos chorar as nossas debilidades.
Talvez eu possa trazer alguma bonança,
Que amaine as tuas difíceis tempestades.
Talvez eu reparta comigo essa tristeza,
Que torna o teu presente frio e duro.
Só posso dar-te ternura e certeza;
Mas, confiando nas sábias leis da natureza,
Sei que será feliz o teu viver, no futuro.
Eu tenho uma grande e bela esperança;
É um sentir potente, é um crer profundo.
Haverá um dia, em que os que mandam no mundo,
Vão respeitar as lágrimas duma criança.
Faro, 14-11-2025
José Bento
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