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AS LÁGRIMAS DUMA CRIANÇA

  • há 3 dias
  • 1 min de leitura

Ali está um menino, chorando sozinho,

Num recanto sombrio dum tosco terraço.

Tem saudades doutra gente, doutro espaço,

Quando tinha família e muito carinho.

 

Ali está um livro, falando de inocência,

Crivado de muitas dores e frustrações.

As lágrimas são a força da sua impotência,

E tem a mente cheia de más recordações.

 

Ali está alguém que há pouco começou,

Mas que já tem consigo o sabor do tormento.

A sua alma exala a cor do sofrimento,

Pois perdeu amores, que jamais recuperou.

 

Os braços fortes do pai, a guerra já os tragou;

Os meigos beijos da mãe, sabe Deus onde estão.

Ele sente que tem de luto o coração,

À espera da boa nova que nunca chegou.

 

Quem quer saber desta sentimentalidade!

Dum menino que ali chora desamparado!

Quem se importa com tal infelicidade,

Ou com o seu imaginário já destroçado?

 

Vem ao meu colo, minha tão doce criança;

Vamos ambos chorar as nossas debilidades.

Talvez eu possa trazer alguma bonança,

Que amaine as tuas difíceis tempestades.

 

Talvez eu reparta comigo essa tristeza,

Que torna o teu presente frio e duro.

Só posso dar-te ternura e certeza;

Mas, confiando nas sábias leis da natureza,

Sei que será feliz o teu viver, no futuro.

 

Eu tenho uma grande e bela esperança;

É um sentir potente, é um crer profundo.

Haverá um dia, em que os que mandam no mundo,

Vão respeitar as lágrimas duma criança.

 

Faro, 14-11-2025

 

 

José Bento

 

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