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AQUELE JARDIM

  • 9 de mai.
  • 1 min de leitura

Passei hoje pelo jardim onde fomos ditosos;

Lá estavam os bancos e os pinheiros frondosos,

Retendo ecos das nossas juras de amor.

Achei o jardim, os bancos, mas faltávamos nós;

Ouvi os pássaros, mas faltava a tua voz;

Pensando em ti, beijei as pétalas duma flor.

 

Como o tempo se foi, mas a lembrança ficou!

Como ele foi rude e cruel, que não levou

As dores de promessas nunca cumpridas.

Dissemos frases que nos perfumavam os momentos;

Andavam de mãos dadas, os nossos pensamentos,

Supondo que estavam casadas as nossas vidas.

 

Não volto ao jardim, para não sentir o desejo,

De ter nos meus lábios a força do teu beijo,

Ficando lá triste, muito pobre e sozinho.

Outrora unidos, mas agora tão distantes;

Os meus passos, sem os teus, são débeis gestos errantes;

O meu peito, sem o teu, é um órfão sem carinho.

 

Deixaste-me marcas na vida, que não sei tirar;

Sei que não virás, mas espero ver-te chegar;

Quero-te comigo, mas sei que viverei sem ti.

Para teu bem, não vás ao jardim de antigamente,

Porque há enigmas em certas partes de nós.

Talvez se lá fores, e por ti passar tanta gente,

Fiques com a ideia que eu ando por ali,

Ouvindo, com saudade, o cantar da minha voz.

 

Faro, 25-10-2022

 

José Bento

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