AQUELA PRAIA
- 9 de mai.
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Caminhávamos sobre a areia da praia,
Sob o esplendor do céu, dum azul raro,
Com a meiguice das ondas beijando-nos os pés.
Andavas liberta, vestindo uma branca saia,
E sendo a mulher transparente que já não és.
Caminhava eu simples, com o meu calção claro;
Íamos de mãos dadas, com o céu e o mar,
Ambos numa ligação de agrado e beleza,
Envolvidos pelo manto da natureza
E levados pelo mesmo gosto de sonhar.
Estávamos ali nós, que pensávamos saber,
Algo de novo sobre a força de amar.
Ignorávamos que os outros, com o seu dizer,
Tinham mais força, para nos modelar o viver,
Do que as vagas daquele imenso mar.
Já não te beijam as ondas, chegando à praia;
Em mim já nem o calção consegue ser claro.
Deixou de ter singeleza a tua branca saia
E deixámos de sentir esse céu dum azul raro.
Éramos felizes, mas deixámos de sê-lo!
Fechámos as portas para a alegria.
Deixámos de buscar as estradas do belo,
Tendo, nos desvãos do mundo, perdido poesia.
Hoje volto àquela praia, mas já não estás;
Talvez lá fosses, numa hora que não é minha.
Eu chego lá e, triste, volto para trás,
E tu pisas a areia e sentes-te sozinha.
Eu penso noutro tempo, que há de nascer,
Em que a vida nos dê outra oportunidade,
Para que ponhamos mais beleza no viver,
Melhorando, com o sonho, a realidade.
Voltaremos a dar tudo, mesmo pouco tendo;
A andar nas nuvens, chegando à profundidade.
Ouviremos a canção que nos irá envolvendo,
Com a alma fixa, no brilho da felicidade.
7 de setembro de 2025
José Bento
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