AMOR E HARMONIA
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Estava ele meditando na sua sina,
No tanto que buscara, sem achar o seu caminho,
Nas gentes que encontrou, mas que estava sozinho,
Na alma boa que esperou em cada esquina.
Revia ele o muito que tinha pensado,
As sofridas lágrimas que já deitara,
As ruas em que, por engano, ele entrara,
E as sombras postas no livro do seu passado.
À medida que pensava, assim ele sentia,
Que, Apesar dos progressos que tinha feito,
Havia um vazio, batendo no seu peito,
Que, de dor, o massacrava e deprimia.
Quão longe estavam os seus tempos de menino!
Mas via-se criança, no querer que o tomava;
Na ternura de que tanto precisava,
Como um ser debilitado e pequenino.
Assim, trilhando a senda que dentro o abria,
Ouviu uma voz, clamando aflitivamente,
Que, apesar de reprimida, lhe dizia:
O que precisas é de amor e harmonia,
Mas tal não se obtém, vivendo isoladamente.
Buscaste amor, entrando nas casas erradas;
Fizeste a canção, tocando em orquestras vãs.
Continua de mãos puras e libertadas,
Pois, quando chegarem as horas mais ajustadas,
Alguém te beijará, na frescura das manhãs.
Faro, 26-12-2023
José Bento
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