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AFETOS PARA UMA CRIANÇA

  • 9 de mai.
  • 1 min de leitura

Ele tinha saudades dos tempos da infância;

Dos familiares, dos amigos e conhecidos;

Desse ramo de bons afetos reunidos,

Que se foram, nas densas brumas da distância.

 

Pouco a pouco, eles foram desaparecendo;

Pela roda do tempo, a morte os foi levando;

Mas ele, que foi construindo e caminhando,

Não achou outras ternuras que o fossem mantendo.

 

Tinha na mente a beleza dessa paisagem,

Feita por gente, que lhe dera significado.

Acampava aqui, descampava noutro lado,

Mas quase cedia ao cansaço da viagem.

 

Tentava encontrar o que antes tinha tido;

A sua alma carente dava o que tinha,

Mas a solidão era a sua vizinha,

Não achando outra relação com sentido.

 

Descobriu então que há afetos tão vitais,

Que trazem consigo, tanto brilho e esperança,

Que, por mais que queiramos, não os teremos jamais,

Porque são dádivas do Céu para uma criança.

 

Faro, 16-2-2024

 

José Bento

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