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A TENTAÇAO  

9 de mai.
2 min de leitura

1º Entendemos aqui por tentação, a vontade que temos de fazer algo que, moralmente sabemos não ser correto.

 

Reconhecemos que não deveremos assumir certa conduta, mas temos o desejo intenso de a adotar.

 

2º Em minha opinião, ainda que o estímulo para levar a cabo certo comportamento indevido possa vir de fora, o núcleo essencial da tentação está dentro de nós.

 

Por exemplo, a pessoa extremamente honesta, do ponto de vista das suas condutas patrimoniais, pode lidar com enormes quantias alheias, mas não sente o mínimo desejo de apoderar-se delas.

 

Essa pessoa já tem o respeito pelos bens alheios tão interiorizado em si, que não faz o mínimo esforço para adotar a conduta correta de não utilizar indevidamente o que não lhe pertence.

Ou seja, essa pessoa nem sequer tem a tentação de fazer o que não deve.

 

Contudo, essa mesma pessoa pode ser extremamente vulnerável à tentação, por exemplo, de fumar, ou de consumir bebidas alcoólicas exageradamente, apesar de saber que moralmente o não deve fazer, por estar a prejudicar a sua saúde e, muito previsivelmente, a encurtar o tempo de vida que Deus lhe deu.

 

 

3º O que pretendemos dizer com tudo isto, é que cada um deve identificar quais são as suas próprias debilidades de personalidade, a fim de as corrigir.

 

Quanto menos fissuras existirem na nossa personalidade, menos suscetíveis estaremos de cair em tentações.

 

Aqui continua sendo muito válido aquele incitamento que já nos vem da Grécia antiga:

 

Conhece-te a ti mesmo.

 

4º Na Prece que nos legou, O Pai Nosso, Jesus ensinou-nos a que peçamos ao Pai que não nos deixe cair em tentação.

 

E, de facto, é muito importante que, com fé, façamos tal pedido.

 

Contudo, Deus entregou-nos a razão e a vontade, para que, usando-as, possamos trilhar os caminhos da elevação moral.

 

Quero dizer com isto que, para além de pedirmos ao Pai que não nos deixe cair em tentação, o papel central está em nós, servindo-nos dos meios que o Senhor nos concedeu, para os utilizarmos no melhor sentido.

 

Aqui vale aquele rifão popular:

 

“Ajuda-te que Deus te ajudará.”

 

Faro, 1-3-2026

 

José Bento

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