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A SALVAÇÃO

28 de mai.
3 min de leitura

Conta-se que certo aprendiz, tendo questionado o seu mestre sobre qual seja um conceito

adequado de salvação, na perspetiva do cristianismo, obteve dele esta curta, mas

esclarecedora resposta:


“Salvar é, sobretudo, regenerar, instruir, educar e

aperfeiçoar para a Vida eterna.”

Ao ler isto, veio-me à ideia aquele importante ensinamento

de Jesus, que consta do Evangelho de Mateus, 6:19-20-21, no

qual, duma forma tão eloquente que só duma Mente Divina

poderia provir, nos é dito o seguinte:

“19Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a

ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e

roubam;20Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem

a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem

roubam.21Porque onde estiver o vosso tesouro, ali estará

também o vosso coração.”

Quantas vezes, de amigos e conhecidos meus que, estando já

na casa dos setenta, naquela fase do viver em que todos

intuímos que, mais dia menos dia, a vida do corpo físico se

vai, quantas vezes, dizia eu, deles ouvi desabafos deste

teor:

- Afinal, esta vida é um engano, é uma desilusão!

Tanto que trabalhámos e tudo cá fica.

Na maioria dos casos, este tipo de frases até provém de

pessoas formalmente cristãs, que os pais as levaram à pia

batismal, que fizeram, na infância a primeira comunhão e

que, de quando em vez, por altura de alguma solenidade

assistem à missa na igreja.


Mas, infelizmente para essas pessoas, as palavras do Divino

Mestre acima transcritas nunca lhes chegaram ao mais íntimo

da alma.

Esses nossos irmãos nunca entenderam que os tesouros da

terra devem ser conquistados com o intuito de serem apenas

tesouros da terra, mas como um meio para, também através

deles, ajuntarmos mais tesouros nos Céus.

E por não terem querido ou sabido entender isto, essas

pessoas não interiorizaram que a morte do corpo físico, a

qual não tenha sido provocada pelo próprio, não é senão

uma grande e gloriosa oportunidade para que entremos na

dimensão espiritual, na vida eterna, onde já deveremos

contar com os tesouros que juntámos nos Céus, que foram

aqui acumulados por nós através do nosso trabalho de

elevação moral e, por isso, esses tesouros, porque fazem

parte do nosso melhorado modo de ser, transitam connosco

para o além-túmulo, como riquezas que aí nos serão

extremamente úteis e confortadoras.

Por outro lado, visto que, ao trabalharmos na terra para

acumular tesouros nos Céus, fizemos o bem a muita gente que

guarda em relação a nós uma profunda gratidão, ao chegarmos

à dimensão espiritual, muitas dessas pessoas lá estarão

dispostas a retribuir-nos, em solidariedade, aquilo que por

elas aqui fizemos.

E aqueles que ainda cá ficarem após a nossa partida, por

terem sentimentos de gratidão em relação a nós, não

deixarão de elevar a Deus, em nosso favor, a sua sentida

prece, a qual muito nos beneficiará nos horizontes do

grande além.

Digamos ainda mais isto:

Por não terem querido interiorizar a importância de se

acumular tesouros nos Céus, dando aos tesouros da terra

apenas a sua limitada dimensão de precariedade, muitas

pessoas assistem à morte do seu corpo físico, mas ficam

espiritualmente agarradas aos tesouros da terra, em

situação de grande sofrimento, circulando pelas casas,

pelas empresas, pelas propriedades rurais, pelos locais

onde exerciam poder e onde se sentiam relevantes, mas sobre

os quais já não têm qualquer domínio.

Essas pessoas recém-falecidas sentem grande dor, ao

constatarem que não são percebidas por aqueles que passaram

a deter aquilo que antes lhes pertencia, e ao compreenderem

que as suas decisões deixaram de ter qualquer importância,

relativamente àquilo que consideravam como sendo os seus

amados tesouros.


Falam, mas não são ouvidas, tentam agir sobre a matéria,

mas não o conseguem e, por vezes, passam muitos anos num

permanente sofrimento, em solidão, adotando atitudes

insanas, as quais lhes acarretam graves distúrbios.

Bem nos disse Jesus que onde estiver o nosso tesouro, aí

estará o nosso coração.

Aqueles que levaram os ensinamentos do Cristo muito a

sério, ao transitarem para a dimensão espiritual,

desapegam-se dos tesouros da terra, deixam cá tudo o que é

de cá e passam a viver, na dimensão celeste, com

felicidade, como membros da grande família de irmãos que

todos somos perante Deus, desfrutando cada um, dos seus

tesouros dos Céus, que sempre estarão iluminados pela

inquestionável fé no nosso Criador e pelo mais puro amor

para com os semelhantes.

Quem percorre a sua vida acumulando tesouros nos Céus está

sempre disponível para deixar os tesouros que tem na terra,

logo que essa seja a vontade do Senhor, porque sabe que

tudo aquilo de que aqui desfrutamos, como tesouros da

terra, nos é concedido por empréstimo Divino, para que

impulsionemos o nosso crescimento espiritual.


Faro, 16-5-2026


José Bento

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