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A PRIMAZIA DO AMOR

  • 20 de abr.
  • 1 min de leitura

Sentei-me junto duma árvore já idosa,

Que estendia a sua beleza luminosa,

Qual fonte de paz, qual irmã inspiradora.

E ali fiquei absorto a refletir,

Ondulando o meu pensar e o meu sentir,

Vivendo o presente e revendo o outrora.

 

Comecei a entender algo diferente;

Estava fora de tudo, apesar de ser gente;

Estava em mim, mas quase não me habitava.

Sentia o pequeno, mas também o colossal;

Contrapunham-se fronteiras de bem e de mal,

Perante o Divino, que tudo explicava.

 

Chegaram-me à mente milénios passados,

Em que os povos tecnicamente mais avançados,

Puseram o saber, ao serviço da opressão.

Quanto mais conheciam, mais dominavam,

Mais eles extorquiam e mais humilhavam,

Reduzindo pessoas à mais vil escravidão.

 

Eles, com o sangue, moldavam fronteiras;

Humilhavam raças, erguiam barreiras,

Desenhavam negros traços na história.

Punham o que sabiam ao serviço do poder,

Achando formas cruéis de causar o sofrer,

Pisando os outros, sob as rodas da vitória.

 

Intuí então que tudo o que é perverso,

É uma dissonância no universo,

Que gera atraso, percalço e dor.

Senti que a rampa que nos faz evoluir,

Tem de harmonizar o saber e o sentir,

Pondo em tudo, a primazia do amor.

 

Faro, 12-1-2026

 

José Bento

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