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A NOSSA POESIA

  • 9 de mai.
  • 1 min de leitura

Quantas vezes me apetece telefonar-te,

Pôr a minha alma a falar e declarar-te

Quanto me doem os espinhos da tua ausência.

Mas depois, vasculho passados e me calo;

Engulo o sofrimento e nada falo,

Para não perturbar a tua consciência.

 

Sou o guerreiro duma batalha já perdida;

Queria-te perto, mas estás tão distante;

Queria-te livre, mas vejo-te detida,

Por um cerrado nevoeiro incessante,

Que ameaça a frágil nau da tua vida.

 

Estendo a mão, mas não consigo tocar-te;

Pede-me o coração, mas não posso falar-te

Que nos separa uma falta de sintonia.

Há entre nós abismos, que o tempo foi gerando;

Venenosos egoísmos, que se foram juntando,

E que contaminaram a nossa poesia.

 

Talvez chegues, quando seja tarde demais;

Talvez me chames, quando a noite está tão breve.

Talvez venhas, na hora em que a vida escreve

Que eu saudoso parti, para não voltar jamais.

 

Faro, 1 de setembro de 2022

 

José Bento

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