A MINHA VIZINHANÇA
- 9 de mai.
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Que belos foram esses meus tempos de criança,
Em que eu ali morava na rua inteira.
Sentindo, por família a vizinhança,
Gente boa, da última porta à primeira.
Andava eu ali, por todos acarinhado,
Sentindo muita ternura, ajuda, e calor.
Naquele ambiente eu era estimulado,
Para enfrentar a vida, com força e rigor.
Nesses dias, eu não conhecia a solidão;
Era pleno, feliz e muito acompanhado.
Foi lá que despertou forte o meu coração,
Para ir à luta, sem partir já derrotado.
Ali, aprendi a não ter quaisquer fronteiras,
Crescendo liberto, amparado pelo amor.
Comecei a transpor abismos e barreiras,
E a suportar, com muita fé, o fogo da dor.
Foi ali que comecei a ouvir a esperança;
A achar versos, no desfazer da ilusão;
A erguer um adulto, nas mãos duma criança,
Acendendo luzes, em trevas de limitação.
Hoje passo lá e os vizinhos já passaram,
Para a dimensão donde vêm as memórias.
Mas a cada porta, ainda oiço as histórias,
Que eles, para mim, então inventaram.
E lá vou eu, rua abaixo, rua acima,
Buscando a vizinhança que já não existe;
Pensando que era alegre e hoje é triste
A rua onde ganhei amor e autoestima.
Foi lá que me senti, pelo tempo trucidado;
Deserto, como a rua que estava sozinha.
Concluí que a rua já não era a minha,
Pois o tempo, subtilmente, ma tinha tirado.
30-11-2023
José Bento
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